Livro Infantil para Ensinar a Adultos Lições de Gente Grande

Com um livro infantil nas mãos, interpretando com diferentes entonações de voz as falas de cada personagem, a professora Elisa Dalla Bona mostrou o poder do mundo da fantasia e da imaginação na formação de leitores, aos acadêmicos de Pedagogia e Letras da Faculdade Estadual de Filosofia Ciências e Letras (Fafi). A palestra realizada na quinta-feira, 26, com o tema A Importância da Literatura Infantil para o desenvolvimento das Crianças, fez parte da Semana de Pedagogia da Instituição que aconteceu entre os dias 26 e 29 de maio, no Cine Ópera.
A professora iniciou suas observações com a exposição de um filme em que uma criança de aproximadamente dois anos tentava ler a história de um livro. Após a exibição, ela perguntou aos acadêmicos se o menino estava lendo ou em que consistia seu ato.  Ao fim da discussão, ela afirmou que as frases que o menino dizia, descrevendo as figuras que ele via eram sim uma espécie de leitura. "Leitura não é mera decodificação do código escrito, ler é muito mais do que isso", afirmou a professora Elisa.
Exemplificando esta afirmação, a professora destacou o caso dos analfabetos funcionais, que fazem exatamente o contrário, decodificam o código, mas não conseguem compreender o que lêem.  Uma característica alarmante que envolve uma parcela significativa da população do Brasil, segundo o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), 60% das crianças brasileiras são analfabetos funcionais. Esse estágio é considerado péssimo considerando que além de não ler de fato, "quem não lê, não vai bem em matemática, ciências, enfim não vai bem na vida.", concluiu a palestrante
Segundo a professora Elisa, esse dado demonstra que a escola desagrega valor ao acreditar que só alfabetizar é suficiente. "Não é suficiente. É preciso formar o leitor. Se a pessoa percebe o uso e a função do material escrito passa a ser letrada. Uma pessoa letrada faz o uso competente e freqüente da leitura e da escrita.".
Para um bom trabalho de formação de leitores, a professora sugeriu algumas ações. Entre elas a contação de histórias, mesmo depois que os alunos sejam capazes de ler sozinhos, o professor deve continuar contando histórias; o seu exemplo é fundamental. O professor deve também, fornecer a oportunidade para que seus alunos sejam capazes de entender as entrelinhas, apreender o humor de um texto. Uma tarefa difícil!? Segundo a professora Elisa não é. "É fácil, leiam muito, dêem livros para eles e eles vão resolver metade do problema."
Ela destaca que a imaginação e a fantasia são fortes aliados nesta tarefa e são encontrados em textos literários, que pela sua polissemia emocionam e são capazes de formar leitores para toda a vida. A partir da literatura, a criança consegue se colocar no lugar do outro, compreende de uma forma muito mais eficaz a realidade. Ela ainda criticou os livros didatizados que são destinados para crianças e o uso de fragmentos de textos, pois acredita que a escola precisa se afastar desta noção conteudista de ensino e entender que com fantasia e imaginação se pode dar ao aluno uma experiência de leitura a ser compartilhada. "Se a intenção é formar leitores para toda a vida, capazes de refletir sobre o mundo, certamente estes livros que não passam de um livro didático não são capazes.". Com essa última frase pode-se entender que a tarefa de formar leitores exige muita dedicação de todo o corpo docente de uma escola, e é justamente isso o que se pretende na graduação: formar bons educadores. 

 

FOTOS:

Professora Elisa Dalla Bona mostrou o poder do mundo da fantasia e da imaginação na formação de leitores aos acadêmicos da Fafi

 

 

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