Professora da Fafi desenvolve pesquisa em Letras na Alemanha

 

Ela fala em português, alemão e inglês, com uma simplicidade inspiradora, humildade comum de uma educadora que não perde a oportunidade de aprender e ensinar. Já foi aluna, agora é coordenadora do curso de Letras da Faculdade Estadual de Filosofia Ciências e Letras (Fafi), estamos falando da professora Karim Siebeneicher Brito, doutoranda em Letras pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Karim é descendente de alemães, a professora aprendeu a falar alemão logo cedo, ao mesmo tempo em que aprendia o Português. Esse empenho em cultivar a cultura alemã envolvia toda a família. “A partir do momento em que nós já sabíamos ler e escrever em Português na escola, a minha avó iniciou o ensino da língua alemã na casa dela para que nós aprendêssemos a escrever e ler, também, em alemão”, conta a professora Karim.

Sua trajetória acadêmica demonstra que este encantamento pelo ensino/aprendizagem das línguas norteou várias de suas escolhas. Após concluir sua graduação em Letras Português/Inglês, a professora passou um ano na Alemanha, na cidade de Nürnberg, fazendo um intercâmbio conhecido como Aupair, no qual o estudante recebe ajuda de custo para estudar em outro país e estadia, em troca de serviço para a família que o recebe.

Em 1995, ela voltou à Fafi como professora auxiliar, desde então tem tecido um trabalho que envolve lecionar, coordenar o colegiado de letras, desenvolver pesquisas, além de escrever atas. A professora Karim, que já está na coordenação do curso por três mandatos, define o trabalho como um desafio fascinante, que exige tempo e atenção. “É ótimo poder trabalhar com o ensino, estar estudando e ao mesmo tempo trabalhar na coordenação, na discussão com os colegas, procurando observar na prática da estrutura do nosso curso o funcionamento de tudo isso que a gente estuda e pesquisa”.

Afirmação própria de alguém que sempre está disposta e envolvida com vários desafios, se bem que; ela confessa que para iniciar seu mestrado precisou de um “empurrãozinho” de seus colegas. “Eu tinha até então diversas dúvidas e preocupações. Eu achava que não daria conta”, afirma a professora. Mas ela deu conta sim, mais do que isso, partiu direto do mestrado para o doutorado e obteve o primeiro lugar na seleção entre os candidatos.

Sorte dela que a sua insegurança não é mais forte que a sua capacidade e que, além disso, está cercada de pessoas que a incentivam, pois mais uma vez ela foi motivada a enfrentar um grande desafio e teve outra surpresa. O coordenador de pós-graduação da UFPR, professor Dr. Paulo Soethe, após analisar seu currículo propôs a ela que tentasse a bolsa do chamado “Doutorado sanduíche”, em que parte das pesquisas é feita no Brasil e a outra no exterior. “No início desse ano, enviei toda a documentação para o escritório do Deutsches Akademisches Austausch Dienst (DAAD) e fui selecionada para receber a bolsa do DAAD. Foram cinco bolsistas no Brasil este ano. Então, vou fazer um ano da pesquisa na cidade de Marburg que fica no estado de Hessen, no oeste da Alemanha”, diz a professora Karim. Ela parte no início de 2009, em companhia da família, levando na bagagem uma pesquisa a desenvolver sobre as Teorias de Aquisição de Segunda Língua e deixando no Brasil uma grande lição.

“Fiquei muito feliz porque eu não imaginava todas essas oportunidades. O que eu tenho que fazer agora, é incentivar os nossos acadêmicos para que procurem sempre um crescimento. O que se aprende realmente não ocupa espaço, você pode aprender sempre mais e tudo isso abre diversas portas para a sua vida”, confirma a professora Karim.

 

Linhas de pesquisa

Em sua tese de mestrado Aprendizagem de mais de uma língua estrangeira: a influência da língua precedente, a professora fez a análise de dez pesquisas correlatas em comparação com a teoria de sua orientadora Márcia Helena Alves Boëchat Fernandes. A proposta do estudo sugerido pela orientadora era a de descobrir a realidade do aprendiz de mais de uma língua estrangeira. “As influências que o multilíngüe sofre enquanto está aprendendo uma nova língua estrangeira não são aleatórias. No caso de uma pessoa que já conhece duas ou três línguas e está aprendendo a quarta, não existe aleatoriedade, a língua que mais exerce influência sobre a aprendizagem de uma nova língua é a imediatamente anterior aprendida. Contanto que ela tenha sido aprendida num grau mínimo de proficiência, que seria o intermediário”, analisa a professora Karim. A questão foi abordada a partir da área do multilingüísmo e da psicolingüística.

Já a pesquisa para o doutorado tem como tema Línguas estrangeiras na educação básica brasileira: o aprendiz multilingüe. “O sujeito multilingüe é alguém único, mas é perpassado por todas as línguas que ele conhece, domina e usa. O bilíngüe ou multilingüe utiliza cada uma de suas línguas em situações diversas, com propósitos diversos e com pessoas diferentes”. Um tema apropriado, considerando que cada vez mais o ensino/aprendizagem de línguas estrangeiras recebe mais atenção. Segundo a professora Karim, a tendência é que essa atenção seja mais intensificada, a comunidade européia já objetiva o domínio de duas línguas estrangeiras para cada cidadão.

Outro aspecto da atualidade, destacado pela professora, é a valorização de línguas chamadas minoritárias, no Brasil, essa valorização recai sobre a cultura indígena. “A valorização que tem acontecido, tem uma motivação principalmente social e política no sentido de que exista uma maior democratização do ensino e da aceitação das pessoas em diferentes contextos culturais”, explica.

Dados interessantes e desafiadores para os professores de línguas, considerando que estudos demonstram que não há um método ideal para a aquisição de uma língua. “Eu sugiro que a postura do professor seja sempre considerar o seu entorno, a contextualização de seu trabalho, procurando os objetivos que os alunos têm, a situação em que vivem, o que lhes permite e o que dificulta essa aprendizagem. E ao mesmo tempo, deixar mais clara para si mesmo qual é a sua filosofia individual para o ensino de línguas. Se o profissional que trabalha com a língua tem essa conscientização, de para que serve essa aprendizagem, ele vai poder desenvolver o seu programa, a sua metodologia, de forma que ajude os aprendizes a desfrutarem dessa situação que a língua ocupa“.

No final de agosto de 2008, a professora irá apresentar um trabalho no Congresso Mundial da Associação Internacional de Lingüística Aplicada (Aila), em Essen, na Alemanha. Para essa participação ela contou com o apoio da Fundação Araucária.

 

 

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Coordenadora do curso de Letras da Fafi, professora Karim Siebeneicher Brito


Coordenadora do curso de Letras da Fafi, professora Karim Siebeneicher Brito

 

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