Fafiuv e Araupel. Unidas por um desenvolver sustentável

Parceria entre a Faculdade e a empresa de Quedas do Iguaçu fomenta o desenvolvimento consciente em uma área que faz parte do corredor de fauna do Rio Iguaçu

     Cinco mil hectares de mata nativa têm sido preservados no município de Quedas do Iguaçu - PR, com o auxílio de uma equipe formada por acadêmicos, egressos e professores do curso de biologia da Faculdade Estadual de Filosofia Ciências e Letras (Fafiuv). Esta é uma das iniciativas desenvolvidas por meio de um convênio entre a Faculdade e a Araupel S/A, empresa de destaque na exploração de florestas plantadas. Os estudos ambientais vêm sendo realizados pela equipe, desde 2006, com o objetivo de manter a biodiversidade existente no local, que faz parte do corredor de fauna do rio Iguaçu.
     O setor florestal é a principal fonte de economia desta região no sudoeste do estado. A Araupel exporta peças de madeira, confeccionadas com Pinus e Araucárias reflorestadas, para a Europa e Estados Unidos, países que movidos pelo conceito de desenvolvimento sustentável exigem de seus importadores uma conduta que reduz o impacto ambiental de suas ações ao ambiente. O que atesta esta conduta é o Selo Verde, que certifica a qualidade ambiental da área. Este selo é emitido pela empresa Imaflora, a partir dos resultados dos estudos que a equipe da Fafiuv realiza.
     A equipe composta pelos professores Sérgio Bazilio, Daniela Woldan e os acadêmicos de biologia (agora formados) Andréia Larissa Boesing, Vitor Sartor, Alessandra Carneiro e Leandro Côrrea, iniciou este convênio de cooperação técnica e científica, com a realização de um Estudo da Avifauna nos remanescentes florestais da empresa. Para isso, utilizaram técnicas de pesquisa de campo relacionando as espécies existentes no local. Após as análises, os pesquisadores consideraram que a área é de suma importância para a preservação da biodiversidade, pois ela abriga uma série de espécies de aves ameaçadas de extinção.  
     A presença de vida no meio ambiente serve como bioindicador de conservação ambiental. Mas isto depende da espécie, pois há espécies que são resistentes à poluição, as que suportam a poluição e as que são sensíveis à poluição; desta forma a existência de cada uma delas informa aos pesquisadores o nível da qualidade do ambiente. E este foi o objetivo da bioavaliação da qualidade ambiental feita no rio Charqueada realizada em 2006-2007, que possui sua nascente e foz dentro da área da empresa, e tem 23 km de extensão.
     Nesta bioavaliação foi utilizado um equipamento denominado Surber, com o qual a equipe coletou espécies de animais presentes no fundo do rio. As espécies coletadas foram levadas ao laboratório da Instituição para triagem. Para o professor Sérgio, esta observação é mais precisa do que as análises física ou química da água, porque demonstra há quanto tempo a água mantém a qualidade e não só seu estado atual. “Essa parceria, é uma oportunidade de preparar o biólogo para a pesquisa, além de capacitá-lo para a parte prática da zoologia”, afirma o professor.
     Atualmente uma equipe composta pela bióloga egressa da Fafiuv, Gracieli Rita e pela acadêmica Fernanda Almeida realizam a bioavaliação do Rio Trigal, rio este que corta também a área da empresa. Outra equipe formada pela acadêmica Francieli Lando e pelo biólogo Irapuan Pinto Coelho se dedicam ao estudo da bio-ecologia de felinos. Para este estudo são realizadas 30 armadilhas fotográficas na área, buscas diretas (de carro e a pé), análises de pegadas e coleta de fezes. Um rico trabalho para a formação destes biólogos e um reforço na luta para a preservação, já que foram encontrados vestígios de algumas espécies ameaçadas de extinção, algumas captadas pelas lentes das armadilhas fotográficas equipadas com sensores de calor.
     Além das análises, o projeto visa também apontar possíveis melhorias no manejo para diminuir o impacto ambiental. Sugestões que segundo o professor são prontamente acatadas pela empresa e têm um efeito positivo. “Mesmo com o reflorestamento, há dentro da empresa áreas de preservação permanente que, de acordo com a legislação, são classificadas como patrimônio natural comparados em extensão, nesta região, somente ao Parque Nacional do Iguaçu”.

 

Bióloga Gracieli e a acadêmica de biologia, Fernanda realizando a bioavaliação do Rio Trigal.

 

Assessoria de Comunicação
Coordenadora: Patrícia dos Santos de Souza
Acadêmicas: Josiane Fontana e Wannessa Stenzel

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