Uma viagem à cidade de Antares

 

        

A viagem aconteceu no Salão Nobre da Fafiuv na quinta-feira, 14, durante a conferência ministrada pela professora Ana Paula Such. O discurso literário reuniu professores e acadêmicos do colegiado de Letras

             Conhecimento, imaginação e uma pitada de bom humor foram ingredientes que não faltaram durante a conferência ministrada pela professora de literatura portuguesa da Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras (Fafiuv), Ana Paula Such. A empolgação da professora em falar sobre a obra Incidente em Antares tornou a noite da quinta-feira, 14, dinâmica e instigante. Com o tema Antares: O Imaginário Real, professores e acadêmicos embarcaram em uma viagem para a cidade fictícia de Antares, no sul do Brasil.

            A palestra fez parte do ciclo de conferências do colegiado de Letras, que este ano está ligado ao projeto Cineclube. Durante a explanação da professora, foi possível conhecer a cultura, costumes e o povo que construiu a cidade de Antares, sem precisar sair do lugar. Sentados nas cadeiras estofadas do Salão Nobre da Fafiuv e sem se preocupar com a chuva forte que caía naquela noite, o público presente fez questão de ouvir atentamente a cada palavra dita pela professora Ana Paula. Afinal, todas as informações são preciosidades. Juntas, elas são capazes de formar um livro ou até um filme. Basta aguçar a imaginação e embarcar nessa fascinante viagem à Antares.

 

Uma hora é pouco tempo

            Se o autor gaúcho Érico Veríssimo estivesse vivo e tivesse a oportunidade de assistir a conferência da professora Ana Paula, certamente ele sentir-se-ia honrado em ouvir comentários, reverências e até críticas sobre os fatos que construíram suas histórias. Segundo a professora, uma aficionada pela literatura portuguesa, uma hora é pouco tempo para falar sobre a obra. “Incidente em Antares é uma deliciosa história macabra e assombrosa crítica a uma sociedade corrompida, que mistura magistralmente humor ao realismo mágico. É uma história que faz você se impressionar”.

 

A obra

            O "Incidente" como sugere o título da obra é fascinante e ao mesmo tempo fantástico. De acordo com a professora Ana Paula, a obra foi publicada em 1971, em pleno vigor do Ato Institucional nº 5 (AI5), que de maneira satírica reflete a sociedade brasileira. “O autor cria uma cidade localizada às margens do Rio Uruguai e vizinha de São Borja. Esta cidade ficcional é tratada com tal veracidade que passa a ter documentos reais, inclusive uma data de elevação à categoria de município. É comandada por duas forças políticas polarizadas entre duas famílias, outrora inimigas mortais: os Vacariano e os Campolargo”.

Basicamente, a história fala de sete mortos que falecem no mesmo dia e que são impedidos de serem enterrados, devido a uma greve geral da classe operária e dos coveiros que reivindicam seus direitos a fim de aumentar a pressão sobre os patrões, os Campolargo e os Vacariano, duas famílias que sempre viveram em disputa. Revoltados, os sete defuntos vão para o centro da cidade pedindo o enterro. No coreto, os personagens se unem para fazer discursos inflamados que envolvem desde os políticos até os devaneios sexuais dos moradores.

            A professora lembra que Incidente em Antares também foi adaptada por Charles Peixoto e Nelson Nadotti para as telas da televisão em 1994 como minissérie, e relançada em 2005 em DVD, em virtude do centenário do nascimento de Érico Veríssimo, dirigida por Paulo José e Carlos Manga.

 

 

Fotos

Professores e acadêmicos do colegiado de Letras

 

Professora de literatura portuguesa da Fafiuv, Ana Paula Such

 

 

Assessoria de Comunicação

Coordenadora: Patrícia dos Santos de Souza

Acadêmica: Wannessa Stenzel 




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