Filosofia e Literatura em Clarice Lispector


O tema encerra o ciclo de conferências do Colegiado de Letras da Fafiuv

            Ela é professora de Filosofia. Ele é professor de Literatura. Juntos, eles explanaram as duas áreas de conhecimento em um estudo sobre Clarice Lispector. A dupla formada pela professora Ms. Renata Ribeiro Tavares e pelo professor Dndo. Caio Ricardo Bona Moreira, compôs a mesa redonda que encerrou o ciclo de conferências do Colegiado de Letras da Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras (Fafiuv), que esse ano está vinculado ao projeto Cineclube.
A palestra, intitulada Filosofia e Literatura em Clarice Lispector, reuniu no dia 18 de novembro, acadêmicos do curso de Letras Português/Inglês e Português/Espanhol no Salão Nobre da Instituição.  
            A fala inicial foi do professor Caio, com o tema Clarice Lispector: uma água viva à procura do neutro. O professor descreveu um breve histórico da autora, reverenciando suas principais obras. “Segundo a escritora, o personagem-leitor é um personagem curioso, estranho. Ao mesmo tempo que, inteiramente individual, e com reações próprias; é tão terrivelmente ligado ao escritor que na verdade ele, o leitor, é o escritor”.
            Clarice Lispector foi uma escritora brasileira nascida em Tchelchenik, na Ucrânia, em 1920. Ela chega ao Brasil, com os pais e as duas irmãs, aos dois meses de idade; instalando-se inicialmente em Recife. Autora de linha introspectiva, buscava exprimir, através de seus textos, os desgostos e antinomias do ser. Suas obras caracterizam-se pela exacerbação do momento interior e intensa ruptura com o enredo factual, a ponto de a própria subjetividade entrar em crise. Em 1944, publicou seu primeiro romance, Perto do coração selvagem. Clarice Lispector surpreendeu a crítica com seu romance, seja pela problemática de caráter existencial, completamente inovadora, seja pelo estilo solto, elíptico e fragmentário.
            A professora Renata, utilizou um recorte da sua tese de mestrado como suporte durante a sua fala, a obra Do Silêncio à Liberdade: uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres. Segundo a professora, chega-se a conclusão de que são os filósofos que devem aprender literatura. Existe, de certa forma, uma relação muito produtiva entre as duas áreas de conhecimento: Filosofia e Literatura. “Clarice foi um corpo estranho no Modernismo. Ela nos mostra que sempre há um significante que nos leva a um significado comum”.

 

Projeto Cineclube


            O projeto Cineclube teve início no segundo semestre de 2007. Esse projeto envolve cinema e literatura na busca de algo além do que estes dois canais podem oferecer separadamente. O objetivo do Cineclube é ampliar o interesse e a internalização da leitura e da literatura pelos acadêmicos dos cursos de Letras Português/Inglês e Letras Português/Espanhol.
            O primeiro ano do Cineclube foi tão produtivo que o colegiado decidiu dar continuidade à experiência, vinculando este projeto à Jornada de Estudos Literários e Lingüísticos do Vale do Iguaçu (JELLVI) que era concentrada durante uma semana no ano e que neste ano foi estendida ao longo dos semestres, totalizando 40h.
            A coordenadora do colegiado de Letras e também idealizadora do projeto, professora Karim Siebeneicher Brito, doutoranda em Letras pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), afirma que para de fato se compreender o que se lê, é necessário explorar profundamente o texto para entendê-lo em sua totalidade. A partir do Cineclube, os acadêmicos vêem na prática como isto funciona. “Um dos grandes benefícios é que, os alunos deixam de ver a obra somente no sentido literal, para tentar entender o que mais está sendo dito”, declara a coordenadora.

 

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Professores, Renata Ribeiro Tavares e Caio Ricardo Bona Moreira

 

Assessoria de Comunicação
Coordenadora: Patrícia dos Santos de Souza
Acadêmica: Wannessa Stenzel 

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