Arte em porongo


Nas mãos das artistas Luciane e Sandra, o fruto assume um novo formato. É no Ateliê Rebecca Artes de Porto União que o porongo ganha cores. Ganha um toque artístico. Ganha vida

 

            A casa da Sandra é aquela lá! Aquela que fica lá no alto, na esquina da Rua Coronel Rupp, nº 249, em Porto União. Mais alguns passos, quase perto do portão principal, avistei uma mulher de cabelos louros, até os ombros, que vinha em minha direção. Com um simpático sorriso, seguido de uma breve apresentação, descobri que aquela mulher era a Sandra [pois até então havíamos nos falado apenas por telefone, dois dias antes de marcarmos a entrevista]. O relógio marcava 13h 30, de uma tarde quente e ensolarada de sexta-feira. Sandra convidou-me para entrar. Desci as escadas que deram acesso ao local da entrevista. Um local deslumbrante. Um local que para Sandra e sua colega de trabalho, Luciane, é considerado especial. Especial porque une duas amigas e duas veias artísticas. É ali, no local especial que recebe o nome de Ateliê Rebecca Artes – que foi construído ao lado da casa da Sandra, que as duas transformam porongos em arte. Nas mãos das artistas, o fruto assume um novo formato. O porongo ganha cores. Ganha um toque artístico. Ganha vida. A você, apreciador da arte, seja bem-vindo para conhecer o artesanato em porongo modelado e pintado à mão, de Luciane Baby Siebeneicher e Sandra Regina Konell.

Cumplicidade
           Muito mais do que colegas de trabalho, elas são amigas e comadres. Uma amizade de aproximadamente15 anos. Além do dom artístico, as amigas possuem algo em comum: Luciane é professora de Língua Inglesa nas Gêmeas do Iguaçu. Sandra é professora aposentada de Literatura Brasileira da Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras (Fafiuv). Foi na Fafiuv que elas se conheceram. “Tudo começou assim. Eu queria me dedicar para a arte, mas não sabia de que forma. Vinham inúmeras idéias e eu não sabia como colocá-las em prática. Então, eu comecei a fazer alguns trabalhos artesanais em gesso que não deram muito certo (risos). Então me falaram da Luciane, que na época estudava na Fafiuv, que sabia desenhar e tinha fascínio pela arte. Falei a ela para iniciarmos um trabalho de enfeitar caixas de presentes de Natal e ela topou!”. Luciane, ainda estudante de Letras Português / Inglês, desenhava capas de discos. Com o convite de Sandra, a estudante passou a se dedicar para outras atividades artísticas. E foi no Natal de 1994, que vieram os retornos profissionais. A dupla enfeitou caixas de presentes e ousou na criatividade de aplicações em alto relevo e bisqui. “Foi nessa época que nos tornamos conhecidas nas cidades. Faltou caixa de presente até (risos). Todos compraram e gostaram do nosso trabalho. Este foi o incentivo para dar continuidade aos trabalhos artesanais”, conta Luciane.

Porongo
           Com a idéia de criação de um presente diferenciado e que permaneça nos lares dos clientes durante o ano todo e não apenas no período de Natal, as amigas contaram com um novo aliado: os porongos. “Certo dia, o professor Osvaldo Nogara da Fafiuv chegou e disse: Sandra, eu trouxe uns materiais aqui para vocês transformarem em arte, mas não sei de que maneira. Quando eu olhei, era um saco cheio de porongos. Então levei o saco de porongos para casa e deixei-o lá. Ficou um tempo parado. Até que a Lu e eu começamos a observar que os porongos renderiam obras de arte”. De acordo com as amigas, os porongos com um retoque aqui e ali, transformaram-se em um boneco de neve e um urso. As duas criações impulsionaram outros personagens. “Foi um desafio. Mas desde então, não paramos mais. Acredito que os porongos deram uma guinada para o artesanato”, afirma Luciane.

Mais natural possível
           Os produtos industrializados são utilizados apenas para fazer o acabamento das peças, o restante é feito com recursos alternativos encontrados na região; como sementes, cascas e folhas secas.

Estoque       
           Preocupadas com a colheita de porongos para o ano que vem, as amigas se empenharam em 2008 para estocar a matéria-prima do seu trabalho em casa. Armazenados nos fundos da casa de Sandra e protegidos do sol, os porongos são separados por tamanho e espécies. Além disso, a paixão em transformar porongos em arte é tanta que elas até plantaram o fruto.

Girafas, galinhas, bonecas...
           Até aquela sexta-feira ensolarada em que visitei o Ateliê, os porongos eram apenas porongos, sem distinção. Depois de passar algumas horas ao lado das amigas, desenvolvi um olhar artístico para os porongos. Em cada amontoado de porongos, aprendi que eles podem ser vistos como girafas, galinhas, bonecas, e muitas outras coisas. Para as amigas é assim. Elas olham o porongo e dizem:
 “- Está vendo este aqui. É um porongo com o pescoço comprido que dá para fazer uma girafa; e aquele porongo ali, pequeno e gorducho, pode ser o corpo de uma galinha e aquele outro lá é a cabeça dela.” Percebi que o olhar artístico vai muito além do que aquela peça pronta. É algo que exige imaginação e amor pelo que se faz.

Inspiração
           Cada peça trabalhada é um desafio para as amigas, pois segundo elas, o dia-a-dia é um aprendizado e também a inspiração para novas criações. “O artesanato é uma realização pessoal. É uma misturada de criatividade, exposição de idéias e sentimentos”, confirma Luciane. Segundo Sandra, os olhos de um artista são preparados para olhar as coisas belas do mundo e transportar isso para uma criação. Para ela, é um processo de desenvolvimento de sensibilidade e das emoções artísticas do homem. Sandra utiliza uma frase do escritor Guimarães Rosa para falar sobre a arte. “Um artista é um observador do mundo. É dali a inspiração”.

 

Serviço: O Ateliê Rebecca Artes localiza-se na Rua Coronel Rupp, nº 249, em Porto União. Maiores informações pelos telefones: (3522 – 0554 ou 9101 – 8367).

 

Fotos


Porongos viram em arte


Estoque de porongos


Artistas, luciane Baby Siebeneicher e Sandra Regina Konell


Cumplicidade



 

 

Assessoria de Comunicação
Coordenadora: Patrícia dos Santos de Souza
Acadêmica: Wannessa Stenzel 

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