Professor Everton Grein do Curso de História faz brilhante defesa de Dissertação de Mestrado

           O trabalho foi apresentado na Universidade Federal do Paraná na tarde de 17 de março de 2009 para a defesa de Mestrado no Programa de Pós-Graduação em História da UFPR. Concentrado na linha de pesquisas em “Cultura e Poder” a dissertação foi orientada pelo Professor Dr. Renan Frighetto (Doutor em História Antiga pela Universidad de Salamanca) e trata-se dum estudo sobre a Infidelidade, a Usurpação e a Tirania na Espanha em época Visigótica, por volta do século VII.

TÍTULO DA DISSERTAÇÃO: DE CONFUGIENTIBUS AD HOSTES: UM ESTUDO SOBRE A INFIDELIDADE, A USURPAÇÃO E A TIRANIA NA HISPANIA VISIGODA (SÉCULO VII).

           Iniciado com um estudo de caso, nomeadamente a usurpação e infidelidade de Iudila (um nobre visigodo) contra o rei Sisenando no século VII, a perspectiva sobre o caso se ampliou, de modo que, passou-se a analisar não somente Iudila, mas também outros nobres visigodos e até francos do início do século VII, por volta dos anos 630, num aspecto mais abrangente. Ponderando assim sobre suas respectivas relações no campo político no Reino Hispano-Visigodo de Toledo. Este trabalho nos fez inferir sobre essas relações dentro de um quadro dialógico, entre a teoria e a prática do poder político. Partindo da análise de crônicas como (Isidoro de Sevilha, João de Bíclaro, Hidácio de Chaves, Fredegário, a Crônica Mozárabe de 754), também epístolas (Bráulio de Zaragoza), moedas, fontes de caráter eclesiástico como as atas conciliares (do III ao VIII Concílio de Toledo), e de caráter jurídico como as Lex Romana Visigoda, chegou-se a partir desses elementos a inferir justamente sobre um nítido caso de Infidelidade, Usurpação e Tirania, daqueles que o Cânone XII do VI Concílio Visigodo de Toledo do ano 636 chamou de “De Confugientibus ad Hostes”, ou seja, “Daqueles que passam ao inimigo”. Suscitando deste modo, uma visão ampla sobre o quadro político e social que imperava na Hispania à época visigótica.
            Tal abordagem histórica e historiográfica justifica-se pelo fato de que, usualmente, a historiografia tem-se debruçado em estudos acerca da infidelidade em relação ao poder régio como um aspecto particularmente inerente ao período em questão, ou seja, a tendência da fragmentação do poder político foi uma das características da Antiguidade Tardia. Contudo, é fato, que pouco se tem estudado em termos das relações de poder entre os diversos grupos que permeavam esta mesma sociedade. Portanto, o objeto de estudos do trabalho foi a constituição desse poder na Hispania Visigoda no século VII, por meio de relações recíprocas entre esses grupos (ou sociedades políticas), como forma de legitimar, regulamentar e limitar as ações políticas, especialmente da política régia. Deste modo, a abordagem deste tema justifica-se por meio dois aspectos elementares, a saber: primeiramente, evidenciar, através destas constantes relações de poder as implicações geradas pelos grupos que amparavam o poder régio, e a partir de então, inferir no sentido da legitimidade do rei, demonstrando assim a importância da prática política, em cuja legitimidade fora buscada a partir de elementos institucionais da época clássica greco-romana. Num segundo momento este trabalho buscou resgatar a história política como objeto de pesquisa historiográfico, no âmbito das relações sociais na Hispania Visigoda. Entendendo que tal estudo é fundamental ao debate historiográfico, justamente, porque as questões colocadas até o presente momento vislumbraram um quadro necessariamente voltado às questões de ordem política no sentido da legitimação poder e suas inferências no aspecto político, essencialmente válidas quanto ao seu alcance, mas não quanto aos seus limites e suas formas de conservação, especialmente nos reino romano-bárbaros da época tardo-antiga.
           O trabalho apresentado teve o fomento da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal em Nível Superior) e um mérito de reconhecimento pela academia por se tratar de uma abordagem inovadora sobre o tema contando com leituras e críticas de algumas autoridades nesse campo, como a professora Drª. Maria Del Rosário Valverde Castro da Universidad de Salamanca, e o professor Dr. Ariel Omar Guiance diretor do Instituto Multidisciplinario de Historia y Ciencias Humanas (IMHICIHU) vinculado ao Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas da Argentina (CONICET). Em perspectiva de análise foram em torno de 180 páginas distribuídas em três partes principais e mais dois anexos. O estudo foi baseado cerca de 85% em fontes da época (século VII) quase todas em latim quais contaram com um grande esforço de tradução com meritório auxílio do Professor Dr. André Bueno e o Professor Osvaldo Nogara da FAFIUV (ao qual o autor reconhece sua dívida).

A FAFI PARABENIZA O PROF. EVERTON POR MAIS ESSA CONQUISTA!

 

FOTO: na Banca da esquerda para a direita: Professora Dra. Fátima Regina Fernandes (Doutora em História Medieval pela Universidade do Porto), Dr. Renan Frighetto (orientador, Doutor em história Antiga pela Universidad de Salamanca), o autor, Dr. Marcos Erhardt (Doutor em História Antiga pela UFPR).

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