Graciliano Ramos: Leituras e Releituras


Essa foi a proposta da palestra dos professores Mdo, Atílio Agustinho Mattozzo e Esp, Josoel Kowalski. A atividade faz parte do ciclo de conferências do Colegiado de Letras da Fafiuv

 

            Atílio Agustinho Matozzo é professor da disciplina de Lingüística. Josoel Kowalski é professor de Literatura. Os professores da Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras (Fafiuv) uniram seus conhecimentos para juntos explorarem a obra Vidas Secas do escritor Graciliano Ramos. A palestra fez parte do ciclo de conferências do Colegiado de Letras, que este ano está ligado ao projeto Cineclube.
            O discurso literário reuniu na noite de quarta-feira, 10, no Salão Nobre da Instituição, professores e acadêmicos do Colegiado de Letras Português / Inglês e Letras Português / Espanhol. Durante a explanação dos professores, foi possível conhecer o sertão brasileiro e o seu povo, sem precisar sair do lugar.

A graça narrativa na construção de Vidas Secas
            O primeiro a falar foi o professor Josoel. O especialista falou sobre a graça narrativa na construção de Vidas Secas. Segundo o professor, o livro publicado em 1938, era propício para experimentações. Pois para Graciliano o que interessa é o homem daquela região nordestina. “Graciliano é o romancista do nordeste. A narrativa da sua obra conta com a linguagem do homem do sertão”.
            O professor Josoel delineia a construção romancista de Vidas Secas em consonância com os fatores sociológicos que podem permeá-la.  Ou seja, se vale de um narrador-conhecedor e regulador das dificuldades de linguagem dos integrantes.

Literatura
            É claro que os estudiosos por Literatura não poderiam deixar de falar desta arte. O professor Josoel explica que a Literatura é compreendida por muito tempo como artefato cultural de criação espontânea, proveniente do âmago de um gênio criador supra-temporal e supra-social, de significações transcendentes ao tempo e a sua situação de origem. “A arte fala por ela mesma. Arte é arte”.
            No decorrer da palestra o especialista questiona: Em que medidas as tensões entre sociedade e literatura surgem na obra de um escritor? Ele explica que implica em uma estrutura complexa de inter-relação entre a produção estética, a busca em explicar o social e a compressão da dimensão política de criação literária, como o romance Vidas Secas, em que há traços acentuados de uma parcela da sociedade, o sertanejo retirante e a conseguinte construção via literatura (visão que o autor tinha desse povo). Parafraseando o filósofo e crítico literário, George Lukács o professor Josoel diz que “cada grande forma literária corresponde a uma etapa da história social”.

(RE) Leitura da prosa gracilianesca
            O professor Mdo. Atílio falou sobre a (Re) Leitura da prosa gracilianesca: As obras que explicam o autor. Em síntese o Mdo. trouxe exemplos sobre a construção psicológica do enredo da vida, ou seja, a vivência que modelam os personagens. “A construção de um grande escritor começa pela leitura”.
O professor conta que o interesse do menino Graciliano pela sonoridade das palavras e pelas letras deu-se muito cedo, ficando registrado em sua mais remota lembrança. Prova disto está na obra Infância, onde Graciliano cita no conto nuvens p.24 sua experiência com a escola.
            O professor Atílio cita ainda que “tudo o que Graciliano tem de especial, de anormal, de misterioso fica reservado à sua literatura”. Para o escritor de Vidas Secas vida e obra são inseparáveis, uma parte integra a outra.

Vidas Secas
            O livro retrata a vida de pessoas que vivem no sertão brasileiro e o sacrifício delas para sobreviver. Tendo como tema a luta pela sobrevivência diante do flagelo da estiagem, o autor traz em seus personagens muito da alma nordestina nos traços de Fabiano e sua família.

 

Fotos


Professores Mdo. Atílio Agustinho Matozzo e  o Esp.  Josoel Kowalski



 

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