Pós-Graduação de História e Geografia da Fafiuv visitam "Casarão Domit"

Leni Trentim Gaspari
Profª: Patrimônio Histórico (Pós-Graduação)

           
           No dia 27 de junho, próximo passado, os alunos do Curso de Pós-Graduação em História e Geografia, acompanhados pelos professores: Leni Trentim Gaspari, Paulo Sérgio Meira Rocha e Dulceli Tonet Estachaski, deslocaram-se até o Casarão Domit em Irineópolis-SC, com objetivo de estudo sobre este patrimônio histórico cultural.
            A visita e esse “espaço de memória” também teve a preocupação por parte dos professores em sensibilizar os alunos da Pós-Graduação para o trabalho com educação patrimonial, o qual envolve a ampliação do conhecimento sobre o passado e sobre as relações que a sociedade estabelece com ele: o que é preservado, como é preservado e quem preserva.
            O estudo in loco, oportunizou a análise de fontes primárias, documentos escritos, iconografia, arquitetura, objetos, patrimônio natural que cerca o casarão, além de costumes de época os quais foram transmitidos ao grupo via história oral, pelo testemunho do Sr. Roberto Domit de Oliveira, responsável pelo casarão.
            É relevante mencionar aqui o carinho e atenção com que o Sr. Domit dedicou aos professores e alunos contando histórias com riqueza de detalhes. Percebe-se a sua preocupação em preservar todos os documentos históricos ali existentes, bem como, o próprio casarão, na sua originalidade.
            Nas observações dos professores cursistas constatam-se a importância da ida do grupo a este espaço de memória:

 


Foto externa do casarão
Acervo: Leni Trentim Gaspari


            A visita à casa do Sr. Domit mostrou a preocupação da família em preservar a história, bem como, a memória das gerações. É fundamental para nós professores e historiadores, pois desperta a curiosidade motivando-nos à pesquisa, bem como, a elaboração de projetos voltados para a sala de aula, que com certeza trazem os olhares dos alunos para a história de seus familiares e de sua comunidade. Nessa visita percebi que há muita história ainda “oculta” o que me permite poder realizar estudos voltados para o comportamento familiar, social da época. Espero voltar a casa como pesquisadora e também poder levar meus alunos para a visitarem, com certeza vai ser uma aula inesquecível para eles. Parabenizo a família por preservar essa história, exemplo a ser seguido nas comunidades, escolas. (Ana Paula Kazmierski)
           
Outra aula assim se posiciona:
           
           Em 27 de junho a nossa turma de Especialização em História Cultual esteve visitando a Casa Domit, um dia de expectativas, de descobertas, de emoção. Podemos destacar a imensidão histórica e cultural que observamos, o conhecimento de uma tradição familiar encantadora que nos motiva a pesquisar e valorizar os objetos, memórias, documentos que revelam a nossa identidade e promovem a consciência de cidadania. Nesse sentido, o que me deixou encantada por conhecer ainda mais, foi o ambiente da cozinha, desse modo uma possível abordagem da história, métodos e técnicas culinárias de época, que certamente a Sra. Sofia de modo muito especial sabia fazer. (Wilza Carla Henning)




Foto da cozinha
Acervo: Leni Trentim Gaspari


            Juliana de Cassia Câmara, com muita propriedade escreve sobre a importância do Casarão para a preservação de memória e de história:

           Muitas vezes as pessoas não sabem o valor histórico de um objeto, de um documento, não sabem a importância de preservá-los, garantindo a perpetuação da memória e da história, seja das suas famílias, da sua cidade, da sua comunidade. Visitar a Casa Domit em Irineópolis, nos fez perceber o valor e sentimento para a história daqueles objetos, saber-se e perceber-se neles, identificar-se nos objetos e documentos, na história e memória. Pois, para que preservar? Porque guardar esses documentos? É só o passado pelo passado? É um passado com sentido e importância, um passado que ganha sentido no presente. A Casa Domit não traz a tona apenas a questão da preservação, do porque é importante cuidar e guardar esses objetos e documentos que também contam as ações do homem no tempo, mas nos mostra a importância da educação patrimonial, de incutir nas pessoas, crianças, adolescentes e idosos o gosto pela história, o gosto pela memória, o sentimento de pertencer e fazer parte da história. A casa trabalha a história, a memória coletiva, porque pode referir-se a história da família Domit, mas muitas pessoas passaram por ali, viveram ao redor da casa, fizeram parte dessa história, foram sujeitos ativos e participativos dessa história, que se constrói até os dias de hoje, seja no interesse do Sr. Roberto Domit, de preservar e cuidar daquele espaço de memória, permitindo o acesso das pessoas à ele, bem como do seu público alvo, desde as crianças até os mais idosos, não apenas por a visitarem, mas buscarem nela um sentido para as suas vidas.

 


Foto do quarto
Acervo: Leni Trentim Gaspari

                        Podemos perceber como o estudo realizado sobre este valioso patrimônio histórico foi gratificante ao todos que o participaram da visita:

           Foi um passeio maravilhoso relatando à época de 1924 e seus objetos. Uma única casa existente de madeira e o seu fundamento sem ferro, os detalhes da varanda em arco trabalhado, as várias janelas e o fato de abrir todo dia. Os objetos que mais me chamaram atenção foram o selador de cartas e o descascador de frutas tanto para comer ou para fazer doce. O detalhe dos móveis a maioria em imbuia alguns com detalhes trabalhados. O fato do colchão em crina de cavalo, as roupas e os chapéus da época. As repartições da casa com as portas devido as ocasiões familiares ou de negócios. Os vidros das janelas são cristais martelados. A sala de jogos com as 3 bolas de marfim  e tanta coisa interessante para relatar. (Cátia Simone Zeizer)


Foto das janelas
Acervo: Leni Trentim Gaspari

            É importante destacar que o Casarão foi tombado como Patrimônio Histórico de Santa Catarina, em 2002, está portanto, protegido por lei. Eliane Haubricht, nossa orientanda e acadêmica do Curso de História, fez seu trabalho monográfico tendo como objeto de pesquisa o Casarão Domit. Entre as inúmeras informações relatadas por Eliane, destacamos:

           O Casarão possui dezoito (18) cômodos, nos quais estão divididos entre os dois pavimentos. Dispõe de 34 (trinta e quatro) janelas, sendo que estas, estão no pavimento térreo com 2,30 metros de atura e 1,25 metros de largura, com destaque maior as janelas que estão em cada lateral, na parte superior também contém janelas porém estas são de tamanho menor. Com duas folhas trabalhadas com acabamento rendilhado em vidro e madeira, no lado externo há duas folhas de madeira maciça internamente com a função de impedir a passagem de luz e servir como reforço de isolamento térmico. Todas as portas internas são de duas folhas com 3,25 metros de altura e 1,40 metros e largura, ambas possuem vitrais para a difusão da luz. O telhado é composto por duas águas com detalhe central, superior coberto por telhas de barro, tipo francesa. (HAUBRICHT, Elaine, 2008, p. 28).

            O trabalho da referida autora intitula-se: “O Casarão Domit: Uma casa... muitas histórias...” encontra-se na biblioteca da FAFI e vale a pena ser consultado. O tema deu origem ao seu Projeto de Ensino para o Estágio Supervisionado e ela estará levando no mês de agosto turmas de alunos de Irineópolis, para ter aulas de Educação Patrimonial no Casarão.
            Trabalho como este são referenciais importantes porque a compreensão do passado onde vive, permitirá ao aluno a possibilidade de inserir-se e melhor compreender a sociedade de qual faz parte e na qual irá intervir, pelo exercício consciente de cidadania.
            A este respeito é pertinente destacar aqui o depoimento da professora Dulceli Tonet Estacheski, após a visita realizada no casarão:

           Quando um bem cultural é preservado, seja ele material ou imaterial, temos acesso a um conhecimento sobre o passado que a teoria por si só não nos proporciona. Ler a respeito de práticas culturais não permite uma experiência tão significativa quanto observar uma construção, ver uma fotografia, ouvir uma canção, assistir a apresentação de uma dança típica. A visita ao Casarão Domit em Irineópolis nos proporciona esta experiência de aprender sobre o passado observando sua arquitetura, os objetos de seu interior, o mobiliário, as fotografias, a documentação, tudo preservado com admirável cuidado. É importante destacar que a preservação da memória desta família possibilita o entendimento das práticas culturais de toda uma comunidade em um determinado tempo histórico. A visita ao Casarão abre as portas para o estudo da arquitetura, da economia, da política, dos costumes, enfim... a sua preservação é uma contribuição relevante para a pesquisa histórica.


Foto da cristaleira do início do século XX
Nota: ainda se encontram dentro dela os finíssimos cristais da Sra. Sofia
Acervo: Leni Trentim Gaspari


            Ainda na fala dos alunos da Pós-Graduação em História:
           
           No dia 27 de junho de 2009, os alunos da pós-graduação em Estudos de História Cultural, juntamente com a professora Ms. Leni T. Gaspari, visitaram o Casarão Domit, localizado em Irineópolis-SC. Alguns fatos deste casarão, considerado um bem patrimonial, merecem destaque: - É o único casarão, totalmente em madeira, no Brasil; - Era o único imóvel que possuía telefone na época, interligado com a estação ferroviária da região; - O proprietário da casa foi o primeiro morador da região a adquirir um automóvel; - Renomados políticos hospedaram-se no local, como por exemplo, Nereu Ramos, presidente por 6 meses. Além desses itens mencionados, o casarão possui um amplo acervo de livros, utensílios domésticos da época, que mostram os costumes dos seus habitantes, tanto na questão da culinária, como da etiqueta. Os quartos, revelam a história do casal, as roupas e acessórios que eram moda a época, como a mulher se comportava com seu esposo, etc.. Concluindo, o casarão Domit, além de um patrimônio histórico arquitetônico também é um patrimônio cultural, o saber fazer, mencionado por Varine-Bohan. É repleta de história política, agrária, das comunicações, da culinária, da moda, dos costumes e tradições dos homens e mulheres que habitaram o local. (Angrenni S. S. Assunção)

           Outros depoimentos dos alunos de pós-graduação agregam-se aos acima transcritos, valorizando o trabalho e a preocupação do Sr. Domit com a preservação deste importante “lugar de memória”. São unânimes em destacar as imensas possibilidades de estudo que estão abertas e torno do Casarão e dos seus objetos. O estudo permite conhecer os hábitos alimentares da época, as relações familiares, o papel da mulher, a religiosidade, enfim, os diferentes modos de pensar e agir na sociedade do início do século 20.


Foto da sala de jantar
Acervo: Leni Trentim Gaspari

            A FAFI pretende dar continuidade a este trabalho junto aos cursos de História e Geografia promovendo outros momentos de estudos e pesquisas no Casarão Domit. Há muito que escrever e pesquisar sobre os objetos e documentos que se apresentam no Casarão, sendo, portanto, uma fonte valiosa a pesquisa histórica. Agradecemos ao Sr. Ricardo Domit pela oportunidade e por colocar a nossa disposição todo o acervo documental para futuros trabalhos.

 

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