Debates em Análise do Discurso da Fafiuv

O tema que faz parte do ciclo de conferências do Colegiado de Letras contou com a presença da graduada em Letras pela UEM, Dnda. Vera Lucia da Silva

 

 

            A primeira vista percebemos que a Dnda. Vera Lucia da Silva é dona de uma simplicidade inspiradora. Logo, se comprova que por traz disto existe uma estudiosa determinada e que aceita todos os desafios para se desvendar o misterioso universo das letras e do discurso. Também pudera, não é de hoje que a Dnda dedica-se para com estes estudos. Pois seu currículo é arraigado de experiência profissional.

           Graduada em Letras Português / Francês pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), Vera Lucia partilhou parte de suas pesquisas com os acadêmicos e professores do Colegiado de Letras da Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras (Fafiuv). A convite do colegiado, ela ministrou uma conferência sobre Análise do Discurso (AD) na noite da segunda-feira, 19 de outubro, no Salão Nobre da Instituição. O tema faz parte do ciclo de conferências do Colegiado de Letras, que esse ano está vinculado ao projeto Cineclube.

 

Análise do Discurso

           A Dnda apresentou durante a conferência as Questões Teóricas e Práticas da Análise do Discurso. Como ela mesma explicou, o objetivo foi o de apresentar os conceitos básicos da AD através de suas pesquisas feitas no decorrer do projeto de mestrado. Vera Lucia parafraseia a escritora Erli Orlandi para dizer que “discurso tem etimologia, que significa curso, percurso e movimento”. O que significa dizer, conforme a pesquisadora, que a AD concebe a linguagem como uma mediação entre o homem e a realidade social.

 

Definição

            Segundo Vera Lucia, a AD é uma prática e um campo da lingüística e da comunicação especializado em analisar construções ideológicas presentes em um texto. É muito utilizada, por exemplo, para analisar textos da mídia e as ideologias que trazem em si. A Análise do Discurso é proposta a partir da filosofia materialista que põe em questão a prática das ciências humanas e a divisão do trabalho intelectual, de forma reflexiva.

 

Michel Pêcheux e Michel Foucault

            Vera Lucia citou durante a conferência os estudos e literaturas de Michel Pêcheux e Michel Foucault. Amparada pelo referencial teórico da Análise do Discurso derivada de Pêcheux e nos estudos do discurso como propostos por Foucault, a Dnda falou que a década de 60 foi marcada por grande efervescência no campo das idéias, sobretudo na área das Ciências Sociais. “Esta linha de pesquisa tem como objetivo o estudo das bases epistemológicas da AD, focalizando seu contexto histórico de surgimento e seus desenvolvimentos a partir dos anos 1960, tendo como pressuposto os diálogos teórico-metodológicos estabelecidos entre Pêcheux e Foucault. Os estudiosos são carros chefe para se entender a Teoria do Discurso”.

 

Pilares Teóricos da AD

            De acordo com a conferencista, não há discurso sem sujeito e não há sujeito sem ideologia. “A ideologia para a Análise do Discurso se constitui na língua, ou seja, são as evidencias que se fixam na sociedade através da nossa prática discursiva”.

 

Discursos Políticos

            Vera Lucia utilizou suas pesquisas da AD para transformá-las em linhas de pesquisa do mestrado realizado pela UEM em 2006. Suas pesquisas são um misto de ousadia e criatividade. Pois a Dnda apresentou as regularidades discursivas de sujeitos políticos. “Pêcheux considera que os aspectos históricos e sociais possibilitam a produção do discurso”, explica.

 

Objeto de Análise

            A conferencista explicou passo a passo sua pesquisa. A análise foi sendo modelada na última semana do 2º turno das eleições municipais em Maringá (PR), no período de 25 a 29 de outubro de 2004. “A intenção foi o de descrever os efeitos de sentidos produzidos pelos discursos dos candidatos, a fim de compreender e analisar o processo discursivo”.

Foram analisados os discursos e os jingles das campanhas dos candidatos Silvio Barros (PP) e João Ivo Caleffi (PT). “Desta forma consegui formar uma rede de sentidos partindo do enunciado das campanhas eleitorais. Para a AD a formação discursiva regular é o que o sujeito pode e deve dizer. A posição em que o sujeito ocupa é o que vai determinar a resposta”.  Os discursos analisados trouxeram a formação de discursos racionais e emocionais.

 

Pesquisa de Doutorado

            Vera Lucia enriqueceu a noite com outra linha de pesquisa. Com o doutorado em andamento na área da Lingüística na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ela falou sobre o tema o Discurso Produzido nas Cartas Censuradas: Sentidos Barrados, Vozes Resistentes e (Quase) Silenciadas no Processo de Individualização do Sujeito-Preso pelo Estado.

            Orientada pela professora Carolina Maria R. Zuccolillo, a conferencista admitiu não estar lecionando no momento e contou aos presentes que sua área de atuação em Maringá – terceira maior cidade do Paraná, é o cargo de Agente Penitenciária no Presídio de Maringá. A agente explica que a idéia da pesquisa é falar sobre os sentidos barrados das vozes resistentes (presos). “Comecei então a desenvolver uma analise a partir das cartas escritas pelos presos”.

 

Regularidade das Cartas

            Vera Lucia conta que o primeiro passo da pesquisa foi a de conhecer as regularidades das cartas, o que significa dizer que é conhecer para onde e para quem os presos escrevem.  Segundo a Agente Prisional, a maioria dos presos escrevem para as rádio locais com o objetivo de pedir músicas e também encontrar uma mulher para relacionamento; em segundo lugar escrevem para os familiares. Na carta eles buscam manter os laços afetivos e pedir ajuda financeira; em terceiro lugar, os presos escrevem para as igrejas para pedir conforto celestial; Depois, estão as cartas direcionadas para os advogados com a intenção de saber sobre o andamento do processo; por fim, eles escrevem também para os órgãos governamentais.

 

Controle das Cartas

            São escritas em torno e 1 mil cartas ao mês. A Agente Prisional explica que existe um controle destas cartas no presídio para se evitar planos de fuga, resgate dos presos e controle de drogas. Trata-se de uma descrição do espaço físico e da rotina carcerária.

 

Currículo

            Vera Lucia é graduada em Letras Português /Francês pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) em 2002. Mestre em Letras pela UEM em 2006. Linhas de pesquisas: Estudos do Texto e do Discurso. Pesquisadora e integrante do grupo de pesquisa GEPOMI/CNPQ-UEM. Doutoranda em Lingüística pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) em 2009.

 

 

Fotos

Conferencista: Dnda Vera Lucia da Silva

 

 

 

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