Carta aberta à comunidade do Sul do Paraná e norte - catarinense!


Prof. Ilton Cesar Martins


           No último sábado, dia 12 de junho, a comunidade da União da Vitória e Porto União foi consultada, ainda que de maneira informal, sobre a possibilidade da FAFIUV, instituição cinquentenária, transformar-se em Universidade. As pessoas que passavam por alguns pontos da cidade eram perguntadas simplesmente se desejavam que a FAFIUV fosse transformada em universidade, tendo como opção de resposta sim ou não. Quem, em sã consciência e interessado no melhor futuro possível para a FAFI e para os estudantes de nossas cidades, responderia não a tal pergunta? Acredito eu que ninguém assim o faria, salvo por razões muito específicas, tal pergunta teria o sim como resposta para quase todos os consultados. Mas e se a questão não fosse assim tão simples e fossem apresentados mais dados para nossa população, qual seria seu posicionamento? Quando me refiro a apresentação de mais dados, quero apresentar-lhes um pouco mais sobre as propostas para o futuro da nossa querida e salutar FAFI.
           Hoje existem 3 projetos claramente definidos para a FAFI. O primeiro, que já tem um bom tempo de discussão, diz respeito à transformação da FAFI num campus da UNICENTRO, universidade sediada na cidade de Guarapuava, com um nome já consolidado, importante história de contribuições sociais para aquela cidade e, por conseguinte, para o Paraná e Brasil. Instituição com cursos de mestrado e doutorado e alguns cursos que são referência nacional. Esse projeto implicaria em investimentos da ordem entre 36 e 50 milhões de reais, os valores ainda não são bem precisos, ainda como não são bem conhecidos alguns pontos do projeto. Mas, sem sombras de dúvidas, é uma proposta que se bem discutida e ouvida à comunidade acadêmica e das cidades de União da Vitória, Porto União e de outras que deslocam seus alunos em direção FAFI, merece séria consideração. Era sobre esta possibilidade que os cidadãos das duas cidades podem ter sido consultados no último sábado. Mas é só isto? Claro que não. Portanto, vamos às outras.
           O governo do estado do Paraná, deseja implantar, e inclusive já tem um processo em andamento para elaboração de estatuto e outros documentos institucionais, a UEPR – Universidade Estadual do Paraná, em certa medida reavivando a antiga proposta da UNESPAR, que existe de direito, mas não de fato. Essa nova instituição contaria com a presença da FAFIUV e também de outras instituições sediadas em Curitiba (FAP e EMBAP), Paranaguá (FAFIPAR), Paranavaí (FAFIPA), Campo Mourão (FECILCAM) e Apucarana (FECEA). A reitoria ficará sediada na cidade de Curitiba, ou seja, muito próxima dos canais governamentais. Para a criação desta universidade o governo faria uso da lei da antiga criação da UNESPAR para dar a UEPR estatuto de universidade, uma vez que os critérios atuais para a criação de uma universidade são mais rigorosos e comportam uma série de exigências difíceis de serem atendidas num primeiro momento. Ou seja, inserida na UEPR a FAFIUV estaria participando de todo o processo de elaboração desta nova universidade, entrando em pé de igualdade com suas instituições congêneres. Por outro lado, seria um processo que demandaria alguns anos para se consolidar, adentrar no orçamento do plano plurianual e encaminhar o processo mais ativo de experiência universitária propriamente dita. Esse tempo necessário para a consolidação também é valido para a proposta da UNICENTRO.
           O terceiro projeto é o que acredito e que gostaria que fosse exposto e debatido mais demoradamente com a comunidade de toda a região. Diz respeito ao processo de estadualização da UNIUV, nossa antiga FACE, numa união com a FAFIUV. Esse projeto conta com a simpatia de muitos políticos da região, é o que tem a mais longa história de debate, afinal vem desde a época do primeiro governo Requião, quando a diretora da FAFI ainda era a professora Delci Christi. Este projeto, antes de tudo, faria a união de duas instituições da mesma cidade, ou seja, inseridas numa mesma realidade social, cultural e econômica. De outro lado, em vez de prometer alguns novos cursos, tal união transformaria todos os cursos da UNIUV em cursos públicos, ou seja, LIVRES DO PAGAMENTO DE MENSALIDADES. Não preciso discutir as vantagens desse processo, mas apenas atentar para 3 ótimas possibilidades: 1- não pagando mensalidades, os alunos da UNIUV passariam a injetar um valor significativo no comércio local, dando importante impulso a nossa economia; 2- a união de cursos que possuem áreas afins poderá consolidar importantes projetos para o crescimento estratégico da região, como por exemplo a aproximação dos cursos de Geografia e Biologia sediados na FAFI com o curso de Engenharia da Madeira sediado na UNIUV. Ou então o curso de História numa aproximação com Turismo e todas as possibilidades de aproximações dos cursos da FAFI com os da UNIUV, discutindo nossa realidade regional. 3- e, por último, teríamos a possibilidade de pensar numa política educacional altamente inclusiva, dando condições para que o filho do pequeno agricultor, do operário da fábrica, ou mesmo o agricultor e operário da fábrica, e tantos outros profissionais que ganham seu sustento com muitas dificuldades, possam estudar de graça, ou seja, sem comprometer o orçamento familiar, em outros cursos além das licenciaturas da FAFI, hoje únicos cursos públicos da região. Isso sem contar o curso de Odontologia que logo deverá estar funcionando, e que pode vir a ser igualmente público.
           A UNIUV se mostra muito interessada neste projeto, o prefeito Juco já deu seu parecer favorável a tal proposta, o deputado Pedro Ivo prometeu envidar esforços neste sentido e sabemos que muitas outras lideranças estão engajadas ou podem se engajar neste importante projeto. Mas insistimos que é uma idéia que deve ser construída num diálogo profícuo e aberto com os cidadão das cidades de nossa região. Acreditamos que sempre que a FAFI precisou da sociedade, principalmente nos últimos anos, quando na gestão do professor Eloy Tonon, esta auxiliou com a aquisição de bilhetes de nossas ações entre amigos, que viabilizaram a construção de salas de aula, bibliotecas e laboratórios. Não é agora que esta mesma sociedade deve ser deixada de lado ou dela se esconder as possibilidades tão ricas quanto as que se oferecem. Portanto, se te perguntarem de novo se deseja que a FAFIUV se transforme numa universidade, continue respondendo firmemente que sim, mas pergunte a seguir: Qual Universidade?
           Numa das exposições que fez à Lisboa, o Padre Antônio Vieira, de desculpava pelo longo relato que fez, e que agora me serve de pretexto para justificar um texto tão longo. “Simplicidade requer tempo. Peço desculpas por esta longa, porque não tive tempo de ser breve”.

 

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