Professor paulista diz que educação brasileira é precária


 
  
           O professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Dr. José Claudinei Lombardi, alerta, dentro de uma visão ampla da educação e das relações de trabalho, que o sistema educacional é caótico. Comenta suas perspectivas dentro do contexto de transformações que vêm ocorrendo e a banalização das formas de ensino. O estudioso esteve, recentemente em União da Vitória, para ministrar palestra na semana da pedagogia da Fafiuv.
           “Vivemos um momento de transição, busca de novos caminhos, mas que apresenta uma grave e profunda crise tanto de organização quanto de conteúdo”, afirma. Na visão de Lombardi essa é a situação da educação hoje no Brasil. “O trabalho docente, neste momento, por um lado vive um processo de institucionalização e profissionalização bastante amplo. Por outro lado, todas as formas de trabalho sofrem um processo de crise”. O doutor em educação diz que o trabalhador, de qualquer área, é volátil. “Hoje ele trabalha, amanhã pode ser descartado”, deduz. Outro eixo da crise são os cursos à distância, universidades absolutamente virtuais, segundo o estudioso, acompanham a mesma dinâmica de qualquer trabalho. “Isso é um processo atual, fruto do capitalismo, suas tendências e pensamentos pós modernos”.
           Questionado sobre a Unicamp ter postura marxista, Lombardi explicou que a instituição não é marxista, mas visa primeiramente a divulgação e produção científica. “É a grande janela de divulgação dos trabalhos científicos nascida na década de 1970, porém os marxistas são minoritários. A universidade não deve ser uma instituição hegemônica. No embate das produções, sob os mais variados pontos de vista, é que está a grande riqueza do debate metodológico e de aprendizado”, completa assumindo sua concepção pessoal como marxista.  
           O professor, no seu trabalho de livre docência, estudo Marx e Engels, que fazem parte de sua formação intelectual. Isso o possibilita analisar o mercado e o trabalho no eixo educacional de forma mais consiste e crítica. “Existe uma profunda relação do trabalho didático com os demais sistemas de trabalho. O trabalho de ensino e aprendizagem, faz parte das transformações do modo capitalista de produção”, explica.
           O professor da Unicamp falou ainda sobre a formação acadêmica e a banalização do trabalho docente. “Na formação acadêmica é fundamental unir a parte teórica com a prática.” Contudo, ele alerta para a precariedade desse processo, quando estudantes são contratados como estagiários, porém atuam como se fossem profissionais formados, arcando com responsabilidades que, à principio, não lhes competem. Muitos programas, na visão do livre docente, como o PIBID em ação na nossa instituição, vêm para suprir lacunas e ausências educacionais. “É a faceta reveladora da precariedade do sistema educacional, resultantes da precarização e flexibilização do trabalho docente realizável hoje.” Pois, segundo Lombardi, a ausência de métodos e práticas mais eficientes culmina em programas de auxílio educacional que objetivam concertar falhas evidentes.


 
 
 
Assessoria de Comunicação Fafiuv
Texto: Sidnei Muran
 



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