Sobre o destino da Fafi


Por Aurélio Bona Júnior

 


            Muito se tem noticiado nas últimas semanas sobre os caminhos que a FAFI pode trilhar daqui pra frente. Todos concordam que ela deverá se transformar em Universidade para que não fique parada no tempo ou, no dizer de alguns, para que não perca o “bonde da história”. As possibilidades de continuar e ampliar sua atuação no desenvolvimento da região oferecendo cursos, elaborando pesquisas e promovendo a extensão dependem dessa transformação, pois tanto os governos como a sociedade sabem que o modelo de faculdade não responde mais às exigências atuais para o Ensino Superior.
           Nossa Faculdade tem 50 anos de história e uma admirável tradição no ensino de qualidade, o que nos orgulha imensamente; contudo, nenhuma outra Instituição de Ensino Superior do Estado permaneceu tanto tempo nessa condição, sem se transformar ou passar a compor uma Universidade. Acredito que está mais do que na hora disso acontecer com a FAFI, para o bem futuro de toda a região, onde houve um crescimento significativo do Ensino Superior privado e uma relativa estagnação na oferta de vagas públicas e gratuitas.
Há duas possibilidades claras para a FAFI nesse sentido: Passar a ser um campus da UNICENTRO (cuja sede é em Guarapuava e possui campi também em Irati e, recentemente, em Laranjeiras do Sul e Pitanga) ou da UEPR (Universidade a ser recriada sobre a lei da falida UNESPAR - de 1997 – com sede a ser construída em Curitiba e com campi em todo o Estado, juntando várias faculdades isoladas). Há pontos positivos e negativos nas duas propostas; cabe à comunidade conhecê-las e tomar suas posições.
           Infelizmente, as discussões que surgiram na região ganharam proporções que acabaram por mobilizar pessoas e organizações em torno de causas desconhecidas. Alguns, em prol da Unicentro, passaram um abaixo-assinado que algumas pessoas assinaram sem saber claramente do que se tratava; outros, em prol da UEPR, conseguiram apoio de representantes da sociedade civil organizada sem entendimento claro de como vai ser essa Universidade.
           Como professor da FAFI e membro da comissão de estudos da viabilidade das duas propostas, nomeado pelo Governador do Estado, venho alertar a população e sensibilizar os meios de comunicação que tanto contribuem com o esclarecimento de todos, para que não tomem partido antes de conhecer as propostas, sob o risco de induzir o cidadão bem intencionado, mas desinformado da situação.
           Na segunda-feira 12 de julho, em Curitiba, a comissão se reuniu para iniciar os trabalhos. A primeira decisão foi que a UNICENTRO vai apresentar um projeto do impacto orçamentário dos investimentos que devem ser feitos na FAFI para que possa ser um campus com as mesmas condições de funcionamento que seus outros campi possuem. O Governo vai analisar. Se aprovar o projeto, a comissão promoverá uma exposição detalhada das duas propostas para a comunidade decida sobre a que mais interessa. Se o governo recusar a proposta da UNICENTRO, a comissão encerrará os trabalhos entendendo que só restará a possibilidade da UEPR e que por isso não tem sentido mais debates que geram desgastes desnecessários.
            Cabe ainda ressaltar que para compor a UEPR, o governo não prevê nenhum investimento de estrutura ou contratação de pessoal para as faculdades. Se for esse o nosso destino, passaremos a nos chamar Universidade com a estrutura que temos. O único investimento inicial será a construção da sede da Reitoria em Curitiba.
Que o melhor aconteça dentro do que é possível junto ao Governo do Estado; que a sociedade participe das discussões com conhecimento de causa e que não faça dessa participação um momento de destruição de possibilidades muito antes delas serem conhecidas.

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