FAFIUV continua no projeto da nova Universidade do Paraná – UEPR



           No dia 04 de agosto, na segunda reunião do Grupo de Trabalho formado para estudar a viabilidade da fusão da FAFIUV com a UNICENTRO ou a junção com as outras faculdades isoladas do Estado em torno da UEPR, chegou-se à compreensão, de forma unânime, de que é uma alternativa prudente para a FAFIUV, nesse momento, permanecer no projeto ora conduzido pelo Secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná – Nildo Lübke, ou seja, que deve seguir, por enquanto, como integrante da nova universidade que se forma.
           Durante a primeira reunião, que aconteceu em meados de julho, foram colocados os desafios e obstáculos em torno do projeto que já existia entre a FAFIUV e a UNICENTRO, cujo principal impedimento era financeiro por ser um projeto totalmente além das possibilidades orçamentárias do Estado para este fim. Também foi ponderado sobre as implicações da participação da FAFIUV na UEPR. Para não se descartar a possibilidade da UNICENTRO de imediato, visto que se trata de um novo contexto de arranjos institucionais do Ensino Superior no Estado, o representante da UNICENTRO na comissão – prof. Aldo Nelson Bona – propôs a reformulação do projeto, com os valores mínimos necessários mais próximos de uma possível vontade e capacidade de comprometimento orçamentário do governo, ali representado pelos seguintes servidores da SETI: prof. Zeferino Perin – Presidente da Fundação Araucária – Rosângela Riba e Lisis – Assessora Jurídica.
           Nesta segunda reunião o prof. Aldo apresentou o projeto, indicando a necessidade de contratação de mais 12 novos professores para a FAFIUV, de forma com que a carga horária semanal dos professores ficasse numa média de 10h/a por professor, ou seja, equiparável com o que é realizado na UNICENTRO e seus campi. Além disso, teríamos a necessidade da criação de uma nova estrutura, composta de 8 chefes de sessão, 2 secretários de setor, 8 secretários de departamentos pedagógicos e 15 chefes de divisão. Somem-se a isso os investimentos necessários para garantir instalação e manutenção com os mesmos padrões de laboratórios, bibliotecas, sistemas de informática e outros atualmente em funcionamento nos atuais Campi da UNICENTRO. Todos estes investimentos implicariam num aporte de recursos da ordem de R$ 4.058.520,23, que poderia ser investido de maneira escalonada, distribuídos entre 2011 e 2013.
           Após a exposição feita pelo vice-reitor da UNICENTRO, o prof. Zeferino chamou a atenção de que o projeto, embora impactasse muito pouco o orçamento da SETI, precisaria passar por vários setores e órgãos do Estado, inclusive pelo Conselho Estadual de Educação. Depois o governo deveria enviar a mensagem para a Assembléia Legislativa do Estado. Ponderou que a proposta não está em tempo hábil para entrar no orçamento de 2011, visto ser este um ano de transição de governo, com implicações da Lei de Responsabilidade Fiscal, na qual um governante não pode assumir compromissos que teriam que ser cumpridos por seu sucessor, além de uma série de outras questões, corroboradas pela representante jurídica que ali se encontrava.
           Desta situação, restava à comissão apenas indicar que nesse momento o mais viável, sem necessariamente ser o melhor para a FAFI, seria seguir o rumo das outras faculdades isoladas e constituir a UEPR. Esta Instituição conta com aval governamental, suas despesas estão previstas no próximo orçamento e seu processo já está bastante adiantado, inclusive com o Estatuto pronto e que deve ser colocado em breve para apreciação da comunidade acadêmica das 7 instituições. Isso faz com que a FAFI não permaneça isolada dentro do Estado, enquanto as outras faculdades isoladas participam da criação da UEPR. Segundo Zeferino Perin, num outro contexto, possivelmente no novo governo, havendo interesse das duas Instituições e apoio governamental, a proposta de incorporação à UNICENTRO pode ser retomada. Isto dependerá da vontade acadêmica e política, bem como do momento histórico futuro.
As duas reuniões realizadas pelo grupo foram fundamentais para o amadurecimento de uma série de questões que podem voltar à tona num momento mais propício. Foi fundamental a exposição do vice-reitor da UNICENTRO, tanto no detalhamento e historicização do primeiro projeto construído pela UNICENTRO, considerado por ele mesmo como “irrealizável”, como da nova proposta, muito melhor dimensionada às possibilidades do Estado.
           Como representantes da FAFIUV na comissão, gostaríamos de deixar claro que, na verdade, não houve a possibilidade de defesa de uma ou outra proposta, nem seria produtivo um novo debate ou tomada de decisão dentro da FAFI.
           Como conclusão, julgamos necessário apontar que a comissão foi constituída, muito embora o resultado final do processo já estivesse dado desde antes do início dos trabalhos. Parece-nos que, sendo uma vontade do atual governo e secretário, qualquer orçamento apresentado pela UNICENTRO seria interposto de uma série de entraves e dificuldades. Foi o que ocorreu. Então vamos de cabeça erguida construir esta nova fase da FAFI. Esperamos que seja realmente nova. Que as expectativas de uma experiência realmente universitária possa se consolidar. Esperamos que a UEPR não seja apenas fruto de aspirações políticas e desejos pessoais daqueles que realmente podiam e podem decidir sobre ela. Esperamos que a nova universidade seja capaz de intervir e modificar para melhor a realidade das comunidades que lhe darão abrigo e guarida. E, sinceramente, esperamos que as condições ofertadas em outras universidades do Estado sejam ofertadas também para a UEPR e seus campi. Que tenhamos condições de atingir o que foi apontado e desejado na fusão com a UNICENTRO, e que possamos, se for do interesse futuro da comunidade acadêmica e da região, rever essa decisão governamental que se fez valer independente do posicionamento formal da nossa Instituição, caso a experiência na UEPR seja insatisfatória como foram as tentativas anteriores de criar uma Universidade com esse perfil. Que nossa vontade de lutar por uma FAFI melhor não encontre seu fim aqui. Que as lições que temos até agora tirado deste processo sejam sementes fundamentais para a nova FAFI, que pode começar uma vida nova, mas com a experiência de uma senhora que sabe bem de suas responsabilidades e de onde quer chegar.

Aurélio Bona Júnior e Ilton César Martins

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