Projeto de história discute ‘raízes’ da nação brasileira

Bolsistas e coordenador visam mostrar a verdadeira realidade da África

 

           Iniciado oficialmente no dia 12 de abril, junto de outros três projetos na Instituição que fazem parte do PIBID (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Pesquisa), o projeto entitulado: “História da África e da Cultura Afro-brasileira: para além da escravidão, do racismo e dos estereótipos” trabalhou o conhecimento teórico. Como atividade prática, os 24 bolsistas, divididos em quatro grupos, encenaram um teatro sobre a Abolição da Escravatura, 13 de maio, em quatro escolas ligadas ao projeto.
           Coordenado pelo professor Dr. Ilton Cesar Martins o intuíto do projeto abrange a cultura africana. Sendo necessário, primeiro, um conhecimento teórico desmitificado do racismo e estereótipos para posterior aplicação do conteúdo aos alunos. As duas datas principais que se relacionam com os afro-descendentes no Brasil são o 13 de maio e o 20 de novembro (dia da consciência negra).
           Num consenso, entre todos os bolsistas, supervisoras do projeto e coordenação cada um dos quatro grupos planejou atividades sobre o 13 de maio. “Nesse dia nos dirigimos até a Escola Municipal Judith Goss de Lima para a realização de um teatro de fantoche, no qual, tinhamos como objetivo levar as crianças a uma reflexão sobre o significado do 13 de maio: abolição da escravatura. Este trabalho teve uma ótima receptividade dos alunos, contamos também com a colaboração dos professores e funcionários”, explica Luana Locatelli e Neid Lúcia Jakmiu em nome do grupo de bolsitas que atuam nessa escola. “Este primeiro contato com a escola foi de extrema importância, ao fazer este vínculo da teoria com a prática, nos permitindo aplicar os conhecimentos que estamos adquirindo sobre a História da África e a Cultura afro-brasileira.”
           No dia 19 de maio de 2010, às 15h30, a Escola Municipal Professora Amélia Hobi fez a apresentação de um teatro em referência às comemorações do dia da Abolição da Escravidão no Brasil ato marcado pela assinatura da Lei Áurea em 13 de maio de 1888. Usando um roteiro criativo, com o tema na obra de Monteiro Lobato: O Sítio do Pica-pau Amarelo, a apresentação usou do artifício de ser uma obra amplamente conhecida pelas crianças com várias adaptações para a televisão. Assim a identificação com os personagens foi imediata. “No teatro discutimos a participação dos negros na abolição, o papel da Princesa Isabel, as leis que contribuíram para o fim da escravidão, tudo de forma leve e bem humorada para permitir o entendimento da platéia formada por crianças da 1ª a 4ª série do Ensino Fundamental”, conta Maytê Regina Vieira – integrante de grupo do projeto. O teatro teve a duração de 20 minutos, tempo suficiente para manter a atenção das crianças e foi apresentado no ginásio da escola, único local disponível para este trabalho. Além dos alunos participaram também os professores e funcionários da instituição.
           No dia 20 de maio o terceiro grupo apresentou outro teatro na Escola Melvin Jones. A história apresentada e narrada pela bolsista Jaquelline, era de um professor que pediu aos alunos que investigassem todas as leis que determinaram o fim da escravidão no Brasil: A lei Euzébio de Queiroz, a Lei do Ventre Livre, a Lei do Sexagenário e a Lei Áurea. Os alunos vão até a casa de seus avós e estes explicam como foi o processo de libertação dos escravos no Brasil, onde todas essas leis contribuíram de alguma forma para essa libertação, e como é importante conhecê-las. “O objetivo era que as crianças tivessem conhecimento do continente africano, em uma metodologia diferente. Esse resgate do estudo da cultura africana é importante, sendo um acesso à própria história de todos os brasileiros, já que há muitos laços que unem Brasil e África”, explica Jaquelline. “Houve receptividade e interesse por parte dos alunos, sendo uma experiência importante para o conhecimento e desenvolvimento deles e também de quem apresentava o teatro”, emenda.
           O quarto grupo reuniu-se na sexta-feira, 21 de Maio, no Centro Comunitário do Bairro São Joaquim, para a realização de atividades referente ao dia 13 de Maio, juntamente com professores, direção, alunos e comunidade da Escola Municipal Cel. David Carneiro. O local, e os presentes, assistiram à encenação da peça teatral infantil ‘O 13 de Maio e a discriminação racial na escola do professor Abacate’, seguido da apresentação do filme curta metragem ‘Vista a Minha Pele’. “Ambos com o intuito de questionar (pré) conceitos que estão enraizados nas culturas de nossa sociedade e, dos quais, muitos indivíduos são vítimas”, argumenta Geciele Carla Gomes Cordeiro, em nome do grupo. “A relevância de um projeto que proporcione a integração do meio acadêmico com a realidade das escolas é certamente algo a ser apontado, pois, só a transposição desse conhecimento científico para os futuros cidadãos brasileiros é que dará legitimidade a nossa formação enquanto educadores e transformadores político-sociais”, completa.
Unidos, os quatro grupos, tem semanalmente estudado e discutido textos que permitam um conhecimento da África. Isso num plano realista, sem interpretações ocidentais, afro-pessimistas e preconceituosas que tentam planta uma imagem deturpada do continente tornando apenas uma terra de pobreza, caos e incapacidade. A literatura mostra a verdade não é bem essa. O estudo destes textos será transformado em planos de aula e possibildade de aplicação de um conteúdo mais verídico sobre a história da África. As quatro escolas do projeto poderão usufrir, inicialmente, deste conteúdo. Em breve, o projeto terá um site com organização de contéudo e ações do projeto.

 

(Texto Sidnei Muran)

 

 

Assessoria de Comunicação
Coordenadora: Ana Paula Such
Acadêmica: Wannessa Stenzel  
Acadêmico: Sidnei Muran

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