Estudantes trabalham o Dia da consciência negra nas escolas da região

Tratar a cultura africana como parte de nossas riquezas foi o princípio idealizado

 

           
            Um projeto que abrange quatro escolas municipais contemplando mais de 800 alunos e buscando ressignificar a história do continente africano. Coordenado pelo professor da Fafiuv, Dr. Ilton Cesar Martins, e ligado ao Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Pesquisa (PIBID) o projeto ‘História da África e da Cultura Afro-brasileira: para além da escravidão, do racismo e dos estereótipos’ realizou atividades em comemoração à semana da Consciência Negra, entre 16 e 22 de novembro, e ao dia da Consciência Negra.

O dia 20 de novembro está inserido no calendário brasileiro alusivo à Consciência Negra.  A data marca a morte de Zumbi dos Palmares, ocorrida em 20 de novembro de 1695, considerado o símbolo da resistência negra contra a escravidão. Ele era líder do Quilombo dos Palmares, destruído por uma expedição dos bandeirantes. De acordo com o coordenador, a semana da consciência negra serviu para aplicar os conteúdos estudados. “Foi um grande laboratório para que pudessemos testar a metodologia e todas as discussões mais teóricas realizadas ao longo do ano”, explica o professor Ilton. “Isso desde o início das nossas atividades já haviamos pensando como fazer, e executamos”, completa.

 As atividades realizadas foram divididas em sete oficinas: teatro, pintura de rosto e penteados africanos, cama-de-gato, escravos de jó, releitura de imagens, contação de histórias e dança da cadeira. Cada oficina durava cerca de 20 minutos. Tudo auxiliado pelos diretores das escolas e professores supervisores. As escolas municipais inseridas no projeto (Judith Goss, Amélia Hobi, Melvins Jones e David Carneiro), neste ano de 2010, tem uma professora docente e locada na instituição que supervisiona o desenvolvimento. São seis bolsistas por escola, com supervisão da professora bolsista que acompanha as atividades e orienta o andamento dos trabalhos, duas vezes por semana.

Segundo o coordenador, essa semana serviu para inserção das crianças na história da cultura africana e afro-brasileira por meio da ludicidade. Cada brincadeira detinha seu fundamento. O teatro narrava especificamente a história de Zumbi. “Não podíamos perder de vista, no projeto, que o 20 de novembro faz menção a Zumbi dos Palmares e toda a sua importância e luta contra a escravidão”, justifica. A contação de história procurou inserir o universo africano e suas especificidades, na literatura infantil.

Sobre as brincadeiras, o professor Ilton disse que cada uma teve sua função. Todas relacionadas às experiências africanas, ou dos africanos no Brasil. Inserção da sonoridade e musicalidade africana na dança da cadeira. Questão da coordenação motora e musicalidade fizeram parte da brincadeira escravos de jó, conforme o coordenador. Pintura de rosto e penteados africanos refletem as expressões africanas. Ainda, foi feita a atividade de reprodução de imagens relacionadas ao filme Kiriku, apresentado anteriormente para as crianças nas escolas.

Colocar definitivamente a temática africana em sala de aula, não como problema, mas como identidade brasileira foi o objetivo, na visão do professor Ilton. “Eu acho que o saldo que fica é bastante positivo e louvável”, elogia. Ele enalteceu a participação dos bolsistas e professores das escolas, “agradeço aos bolsistas que estiveram à disposição das sete da manhã às cinco da tarde, durante a semana toda”. O coordenador lembrou da importância e auxílio da prefeitura de União da Vitória, por meio da secretaria municipal de educação, na logística e dos diretores das escolas no apoio e auxílio. A coordenadora pedagógica, Claire Weber, acompanhou algumas oficinas e teceu elogios ao projeto. Segundo ela, a secretaria gostaria de ampliar a abrangência para outras escolas.

O encerramento das atividades da semana da consciência negra, organizadas pelo projeto, foi na segunda-feira (22) com a apresentação do filme ‘Kiriku e os animais selvagens’ que aponta referências sobre a cultura e os modos de vida africanos. As quatros escolas trouxeram seus alunos até o Cine Luz divididos em duas sessões, uma pela manhã e outra no período da tarde. Ainda, novas atividades serão aplicadas nesse semestre pelos bolsistas nas escolas.

 

 

Sidnei Muran, acadêmico  de História e participante do Projeto

 

 

Seguem as fotos dos Projeto nas escolas da região

 

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