Colegiado da FAFIUV / UEPR conta a história dos catadores


Um documentário e um livro apontam resultados e perspectivas

 

Como um toque de viola num cenário de vastas dificuldades. Um som de vida num lugar que, para muitos, aparenta desprezo. Mas está documentado em vídeo e grafado num livro. O projeto intitulado “Os catadores da margem esquerda: Coleta, sobrevivência e identidade no Médio-Iguaçu no início do século XXI” foi finalizado em noite célebre: com um documentário e um livro com textos científicos. Tudo no auditório da UEPR, campus Fafiuv de União da Vitória.
Surgiu a ideia de elaborar um levantamento e investigar o povoamento de áreas de risco por pessoas que perderam seus empregos, em sua maioria, no setor madeireiro e passando a catar material reciclado. O mentor da ideia, professor Dtdo. Ilton Cesar Martins com projeto roteirado e maestrado pelo professor Dtdo. Jefferson William Gohl. Ambos do Colegiado de História da UEPR – Campus FAFI/União da Vitória. De acordo com o professor Ilton abriu-se um olhar para pessoas ignoradas no contexto social, mas que detinham seu modo de sobrevivência. Por sua vez o professor Jefferson até se esquiva de receber louros pela publicação do livro e edição do documentário. Segundo ele, os professores Everton Crema e Dulceli de Lourdes Tonet Estacheski assumiram toda a organização das filmagens e produção dos artigos, devido ao professor Jefferson ter iniciado seu doutorado no ano de 2010.
Na noite de quarta-feira (23/02) os acadêmicos de História da Instituição acompanharam o lançamento de um livro, com artigos elaborados por bolsistas do projeto e professores. Isso para sedimentar o conhecimento e trabalhar temáticas relacionadas ao projeto Catadores. Num segundo momento, todos puderam assistir ao documentário ‘Catadores da Margem Esquerda’ que traz depoimentos e informações relativas ao modo de vida dos catadores de material recicláveis.
Quanto ao documentário, a equipe do projeto formada por professores, bolsistas e profissional recém-formado pesquisou a vida dos catadores e fez gravações que mostram a realidade de vida de grupo de pessoas. A maioria, principalmente do bairro Ribeirinha, vive em área de risco. Inclusive durante as filmagens ocorreu a cheia do rio Iguaçu no ano de 2010. Os modos de vida são bem simples e com ganhos minúsculos. Raramente atingem um salário mínimo mensal por família. Isso que as cenas atestam para famílias de até onze pessoas.
A equipe acompanhou a vida dos catadores e a destinação final do material recolhido. Observou os empresários do ramo, que se colocam na ponte entre catador e receptor de materiais recicláveis. O documentário mostra detalhes do projeto Reciclinho de Bituruna com seu desenvolvimento. No cenário do documentário aparecem personagens, inclusive que serviram de atores em outras produções de curta-metragem. Zé da Viola anima a vida e mostra o tom de sua viola. Esse catador é marceneiro e carpiteiro e conserta violas e violões. Tudo manualmente, tudo em nome do sobreviver.
O material do filme será disponibilizado para as escolas municipais com o intuito de educar as crianças com o conhecimento dessas realidades. Dignificar o trabalho dos catadores, mostrando quanto de lixo é produzido e entender que grande parte pode ser reciclado.

Texto: Sidnei Muran

 

 

 

Legenda

Coordenador do Curso - prof. André Bueno


Um dos idealizadores do projeto professor Dtdo. Jefferson Willian Gohl

 


Idealizador do projeto - prof. Dtdo Ilton Cesar Martins

 


Coordenadora do projeto - prof. Dulceli de Lourdes Tonet Estacheski

 


Coordenador do projeto - prof. Everton Crema

 

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