Uma vida em discos de vinil

            O coração bate no ritmo das notas musicais. As mãos desenham no ar o movimento dos instrumentos. Nos lábios, um discreto sorriso. E os olhos? Ah! Os olhos dizem tudo. Nem os óculos de grau impediram que se percebesse tamanha comoção. Em cada melodia, uma lágrima. Elas traduzem lembranças da infância, da juventude e da fase adulta. Lembranças estas que constroem uma história. A história de uma vida em discos de vinil.  
            O enredo, baseado em fatos reais, narra a admiração de Aloísio dos Santos Silva – historiador formado pela UEPR/FAFIUV em 1972-, pelos discos de vinil. Esta é uma história que merece ser apreciada nos mínimos detalhes. Então aceite o convite para viajar no tempo. Feche os olhos. Ouse na imaginação. Balance os braços. Suavemente movimente a cabeça. Acompanhe o ritmo musical com a ‘pontinha’ do pé. Seja bem – vindo. Você está na discoteca do Aloísio.
Nada é por acaso
            Certa vez, já no finalzinho da tarde, me dirigia para uma instituição de ensino superior. Com os passos apressados, enquanto atravessava a rua, avistei três amigos conversando. Aproximei-me. Pensei que os cumprimentos não passariam de um ‘oi’ e ‘como vai’. Nada disso! Uma famosa frase descreve a situação: momento certo, na hora certa. E de fato sim! Foi aí que eu tive a oportunidade de conhecer o Aloísio, professor de história em Porto União e União da Vitória. Vou explicar. Um dos dois amigos me apresentou para o simpático senhor que logo assegurou: - Ele é considerado um dos maiores colecionadores de vinis das Gêmeas do Iguaçu. É claro que a vontade de conhecer o acervo foi imediata. Assim, começamos a conversar. A partir daquele dia, quando passo pelo mesmo lugar e atravesso a rua, faço questão de cumprimentar Aloísio, sua esposa Márcia e os filhos.
Cantinho mágico
            Em uma manhã fria e chuvosa de sexta-feira, bati palmas em frente à casa da família Santos Silva, onde fui recebida pelo próprio Aloísio. Em seguida, conheci Márcia, sua esposa, e também os seus filhos Flávio e Rafael. A simpatia contagiante dessa família faz qualquer um se sentir em casa. Conversamos um pouco. Na verdade, o que Aloísio desejara, era mostrar o seu acervo de vinis. “Aqui estão eles, no cantinho mágico”, afirmou.  Dentro daquela casa aconchegante, com decoração de quadros modernos e clássicos, se encontra uma estante marrom-madeira [que ocupa um dos lados da sala], sendo considerada o cantinho mágico que abriga a coleção de vinis.
‘Bolachas’ de vinil
            Aloísio resistiu à praticidade da fita cassete e ao brilho reluzente do CD, para dar espaço ao vinil. No cantinho mágico, existem cerca de 2 a 3 mil ‘bolachas’ de artistas nacionais e internacionais. Ele conta que tudo isso começou quando veio da cidade de Mangueirinha (PR), ainda criança, com o pai Nicanor e um dos irmãos, morar no Internato do Colégio São José em Porto União. Passou então, a economizar todo o dinheiro que ganhava. O primeiro investimento, aos 9 anos, foi um vinil do cantor e compositor canadense, Paul Anka. E com isso, se tornou um comprador inveterado de discos. Aqueles que marcaram os embalos da década de 50.                          
Coleção
            O primeiro vinil que Aloísio puxou do cantinho mágico foi um dos seus preferidos, Paul Anka. Em seguida foram, as músicas do cantor Carlos Gonzaga, que foram apreciadas. “Ele foi o primeiro artista brasileiro a fazer sucesso”, conta o professor. Na coleção, também se encontram os sucessos de Brenda Lee, Neil Sedaka, ABBA, The Playings, cantores do jazz pós-guerra. “A maioria dos vinis eu comprei aqui no Brasil. Mas alguns formam importados da Inglaterra, Japão, Estados Unidos através da troca de informações entre colecionadores e apreciadores destas belíssimas canções”, relata o exímio colecionador.
Canção puxa canção
            Aloísio faz questão de colocar um trecho de cada canção, em alto e bom tom. Cada melodia carrega uma história. “Lembro das matinês. Nossa! Aquele tempo era bom. Até me emociono”.
‘Zero bala’
            A paixão pelos vinis é tanta que hoje, o professor, aos 65 anos, até passou suas canções preferidas para CDs. A idéia é manter as melodias que fizeram parte da sua vida sempre por perto. Segundo ele, a sua coleção é impecável. “Os vinis estão em estado ‘zero bala’, quero dizer, não possuem risco algum. Tenho muito cuidado com eles. Na minha coleção ninguém mexe”.
Valor sentimental
            Perguntado se venderia sua coleção de vinis, a resposta foi rápida e concisa. “Não venderia nem pela metade da mega-sena. Os vinis representam a minha vida”.
Para recordar
            Aquela manhã, ao lado da família Santos Silva ficará guardada na memória. Talvez, a frase do poeta Leonid Pervomaisky, possa resumir a paixão dessa família pela música e pela vida. “Pouco importam as notas na música, o que importa são as sensações produzidas por elas!”.

 

Assessoria de Comunicação
Coordenadora: Ana Paula Such
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