Casa de memórias materiais e imaterias – patrimônio preservado pela Família Domit conta um pouco da história elitista dos anos de 1920

* Sidnei Muran
 
 
O Casarão Domit, localizado no interior de Irineópolis/SC, é um museu catarinense tombado pelo Patrimônio Histórico Estadual de Santa Catarina que preserva a cultura da década de 1920. Permite entender o cotidiano de vida nessa época, de uma família da aristocracia, de elite. Sobre o pressuposto da observação de um estudo patrimonial é fonte primária de inúmeros documentos que tornam possível a observação tanto da história material quanto imaterial, elencada a este centro de memória.
Os objetos presentes dentro do Casarão, bem como a própria arquitetura construtiva, servem de referência para o estudo sobre hábitos, costumes, tendências, modas e posturas de uma sociedade de prestígio nesse período. É possível observar os modos de vida e o cotidiano de uma família e sua postura social neste período. É um espaço de memória que permite essas observações in loco.
O proprietário do Casarão, Dr. Robert Domit de Oliveira, conserva o local e por isso a memória é preservada. Domit é descendente do Coronel que construiu a casa, é filho de Georgete - filha única do Coronel de origem libanesa Joaquim Domit. Ele veio para a região nomeado pelo Governador do Estado de Santa Catarina, Hercílio Luz. Suas terras faziam divisa com a Indústria Lumber de Três Barras. Roberto é fonte oral para contar essas histórias. Guarda detalhes históricos e peculiares ligados às ações cotidianas de seu avô.
A casa é mantida com o mobiliário original e fica na localidade de Irineópolis, antiga Vallões, na fazenda São Jorge, cerca de 2,5 km da sede urbana do município e à 4km do Rio Iguaçu com acesso pela SC- 460 km. Coronel Domit foi Delegado de Divisas e veio para cuidar dos limites entre Paraná e Santa Catarina e apaziguar os ânimos do Contestado. Ele foi morar, em seu casarão, em 15 de agosto de 1928, depois de casar-se com Sofia.
O espaço permite a ampliação do conhecimento, pode-se observar a forma de proteção e preservação de todo um patrimônio. Torna possível analisar objetos, fontes primárias, ícones, documentos, a arquitetura e o patrimônio natural que estão englobados no contexto do casarão. Essas observações permitem entender costumes e hábitos dessa época. Compreender a postura dessa sociedade, em meio ao contexto social que o abrange. Até a forma peculiar e expansiva da construção, com seus inúmeros cômodos, paredes altas e detalhes construtivos que demonstram o poder aquisitivo e o potencial da família Domit.
Ver o casarão preservado significa entender a preocupação da família em manter sua história, diante já da terceira geração. Motiva o interesse de pesquisadores de buscarem entender todo esse contexto, ao professor elaboração de planejamentos de aulas para ensinar esses contextos aos seus alunos. Possibilita falar do casarão e levar os alunos para conhecer in loco o casarão e seu repertório de materiais e objetos. Há também a possibilidade de entrevistar, ou apenas ouvir, Roberto Domit de Oliveira contar suas histórias.
Manter um patrimônio dessa magnitude requer um interesse bastante amplo pela história e contexto histórico que abrange o casarão. Reveste-se de uma importância fundamental aos historiadores que podem ter no local uma referência para planejar uma aula ou ainda marcar uma visita e levar seus alunos até o local e possibilitar uma “viagem pela história.”
Outro fator intrínseco é entender a importância que existe na preservação. Serve de motivação para que haja uma consciência de preservação. Serve de exemplo de como deve-se tratar um patrimônio, cuidar e manter a memória. Obviamente, há dificuldade pela falta de incentivos nesse sentido, mas o Casarão Domit é um exemplo de que a memória de um local, de uma família deve ser preservada e valorizada. A experiência de visitar o local é fundamental para ter esse contato com a história primária e compreender contextos e situações da história elencada à um patrimônio, a um “local de memória”.
 
 
 
* Sidnei Muran é aluno da Pós Graduação em História da FAFIUV. Durante o módulo Patrimônio Cultural e Educação Patrimonial, ministrado pela professora Ms. Leni Trentim Gaspari, os alunos visitaram no dia 27 de agosto o Casarão Domit em Irineópolis, de propriedade do senhor Dr. Roberto Domit de Oliveira. O objetivo da atividade foi proporcionar aos professores cursistas uma reflexão sobre a possibilidade de se trabalhar com bens culturais e patrimônio histórico local/regional no processo ensino-aprendizagem de História, com finalidade de estimular o senso de preservação da memória social coletiva. A saída a campo para estudo in loco num espaço de memória possibilita aos cursistas oportunidades de perceber a materialidade concreta da preservação de um espaço com objetos de época e ainda perceber a memória como composição que visa dar sentido a experiências pessoais, passadas e presentes.

 

Assessoria de Comunicação
Coordenadora: Ana Paula Such
Acadêmica: Wannessa Stenzel

 

 

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