Homenagem para José Leônidas Gaspari

Senhor Nosso Pai e Nosso Guia...
Dignas e Respeitadas Autoridades...
Ilustres Confreiras e Confrades...
Honoráveis Comendadores José Leônidas Gaspari
e Cláudio Antônio Zini...
Caros Familiares e Amigos...
Senhoras, Senhores e Jovens...
 

Odilon Muncinelli ( * )

 

            A Academia de Letras do Vale do Iguaçu realizou duas reuniões ordinárias no mês de setembro passado, uma referente ao mês de setembro propriamente dito, outra referente ao mês de outubro. Na primeira delas, fiz a indicação do notário e velho amigo José Leônidas Gaspari, acompanhada de uma breve justificativa verbal.  Na segunda, aquela indicação foi aprovada à unanimidade pelos meus confrades e confreiras, objetivando, nesta noite, conferir-lhe a Comenda Pinhão do Vale, com todas as honras e pompas, pela sua reconhecida dedicação à arte musical.
 
            Para começo de conversa, quero evidenciar que, há muitos anos, tenho a satisfação de conhecê-lo e, por isso mesmo, hoje posso dizer algumas coisas a respeito dele. Dizer do meu grande apreço por sua pessoa, que, a bem da verdade, conheci quando ainda dava os meus primeiros passos na advocacia.
 
            Talvez as minhas palavras não traduzam tudo aquilo de que ele é merecedor, mas mesmo assim acredito que valem como a mais sincera homenagem que presto ao estimado amigo e novo Comendador. Pois, certa vez ouvi alguém dizer com acentuada ênfase: Existem pessoas que são lembradas e homenageadas pelo que têm ou pelo que fazem. Outras por tudo isso e mais: pelo que são! Essa oportuna assertiva vale muito bem para definir o velho e bom amigo José Leônidas.
 
            Dedicado à sua família como marido, pai, sogro e avô extremoso e exemplar na dedicação e na tolerância. Um bom parceiro e um bom amigo, enfim.
 
            Nascido em Porto União, Santa Catarina, a 1o de fevereiro de 1936, José Leônidas cursou o Ensino Primário na Escola Professor Serapião, o Ginasial no Colégio Estadual Túlio de França e o Científico no Colégio Estadual do Paraná em Curitiba. Em seguida, prestou o exame vestibular, ingressou na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná e graduou-se com a Turma de 1959. Porém, não exerceu a nobre profissão. Apenas serviu-se dela para dar cumprimento aos encargos do seu Ofício.
 
            Apesar da descendência, ele não encontrou na vida o caminho feito. Dotado de inteligência apurada, de estilo inconfundível, começou o serviço notarial no 1o Tabelionato de Notas, em União da Vitória, no ano de 1956, como Escrevente Juramentado do Ofício dirigido pelo seu próprio pai, o inesquecível Ivanové Gaspari, o compadre Vaninho, como era tratado pelos mais chegados. No ano seguinte (1957), assumiu a função de Oficial Maior. No ano de 1961, prestou concurso para a Comarca de Palmas e, no ano seguinte (1962), foi removido para União da Vitória como Titular do 1º Tabelionato de Notas, acumulando as funções de Oficial de Protesto de Títulos.
 
            Assinale-se ainda, que, em fins de 1959, como advogado recém-formado e idealista, uniu-se ao grupo de pessoas, que ao lado do inesquecível Dr. Luiz Wolski, corriam atrás da organização, instalação e funcionamento da FAFI de União da Vitória. Muitas viagens foram feitas a Curitiba, juntamente com o Diretor Dr. Luiz Wolski, no intuito de que acontecesse a Sessão Solene da Aula Inaugural da FAFI em 28 de março de 1960. Designado Secretário, José Leônidas redigiu a ata dessa solenidade histórica. Donde, além de membro fundador da FAFI de União da Vitória, ele foi o primeiro Secretário e posteriormente o primeiro Bibliotecário. Pediu demissão em 1963. Todavia, retornou a FAFI, na década de 70, para cursar História e formar-se com a Turma de 1974, juntamente com a sua esposa LENI, hoje Vice-Diretora daquela conceituada Instituição. Além disso, foi professor de História do Brasil, nessa mesma Instituição.
 
            Mais tarde, paralelamente às atividades de notário, secretário e bibliotecário, à convite do Juiz de Direito, Dr. Sérgio Ângelo Francisco Mattiolli, exerceu, de 1971 a 1974, o cargo de Escrivão Eleitoral da Comarca de União da Vitória. Além disso, prosseguindo a sua jornada no meio jurisdicional, atendendo convite do Juiz de Direito Dr. Walter Ressel, assumiu o cargo de Conciliador, no Juizado das Pequenas Causas. Nesse Juizado, onde permaneceu por 23 anos, de 1984 a 2007, manteve uma profícua atuação, em caráter voluntário, sempre pronto no atender, sempre resoluto nos pleitos, apreciando-os e resolvendo-os da maneira mais justa e correta. Além disso, em nome do Direito e da Justiça, agia com o devido respeito a todos, indistintamente do credo, da raça e da cor. Mais tarde, quando o Juizado das Pequenas Causas passou a ser chamado de Juizado Especial, Cível e Criminal, com nova estrutura, com novas diretrizes, e inclusive, com remuneração aos seus colaboradores, ele abdicou do seu encargo voluntário em favor dos advogados mais jovens, recém-formados.
 
            No ano de 1995, ele aposentou-se, com uma larga folha de serviços prestados ao serviço notarial e à Justiça, no entanto, mesmo assim, permaneceu como Tabelião Substituto, designado pelo Juiz de Direito.
 
            Agora, retrocedendo no tempo... Ainda menino, José Leônidas demonstrou um grande interesse pela arte musical em especial pelo piano. Tanto que aos 14 anos começou a estudar com a inesquecível professora Leony Giannini, em União da Vitória. Com sua ida para Curitiba, para cursar o Científico e depois o Ensino Superior, deu continuidade aos estudos musicais e, em 1958, concluiu o curso completo de piano na Escola Musical de Curitiba.
 
            A sua dedicação à música se fez mais forte na juventude quando os afazeres profissionais e familiares ainda não eram tantos. Tocava com um grupo de amigos que o acompanhavam ao violino, entre eles Odilo Schmidt e o inesquecível José Kretschek. Em algumas ocasiões, durante reuniões festivas, ele fez um respeitado dueto, a quatro mãos, com a exímia pianista Djanira Amin Pasqualin. Suas amigas, Therezinha Leony Varacoski (hoje Wolff), sua irmã Neuza, Ana Maria Bünner, entre outras, faziam a parte vocal do grupo entoando lindas canções.
 
            Com as filhas ainda pequenas, era costume tocar para elas, à noite, enquanto dançavam, era uma alegria só. Na época, o casal José Leônidas e Leni, ainda não possuía televisão, assim a música alegrava e unia a família. Hoje, porém, o talentoso e exímio pianista quase não dá concertos, nem em família. Entretanto, um gnomo me contou que ele está retomando os estudos diários a fim de que esse dadivoso conhecimento não se perca, sem mais nem menos. Fico imensamente feliz, meu velho amigo.
 
            De outro lado, quero dizer mais alguma coisa, agora acerca da sua personalidade. Homem bom e simples, humilde, sem ser subserviente, marca presença no serviço notarial união-vitoriense e estadual, destacando-se como uma das suas mais expressivas figuras, sempre aberto ao diálogo, sempre bem disposto, comunicativo e firme em suas convicções e propósitos. Espírito aberto, estudioso invulgar, lhano no trato com as pessoas, atualizado no tempo e no espaço, compreendeu que o seu ofício é um meio e o bom serviço é um fim. Homem bom e bom notário – outro não pode ser o qualificativo.
 
            Pois bem, minha gente, assim é o meu velho e estimado amigo José Leônidas Gaspari – sem rascunho, sem cópia, sem carbono, sem verniz. Como já disse, há muitos anos, privo do convívio de tão magnífico e honorável amigo. A sua amizade, muito me honra, e por ela, tenho o maior respeito.
 
            Em derradeiro e concluindo, aqui não se faz elogio pelo simples elogio, mas sim para apresentar um exemplo, nos dias atuais de conotações especialíssimas, em que são raras a honra, a correção e a retidão de propósitos. E porque, tudo isso é a confirmação de que o Homem, através dos tempos, deixa gravado na História, as suas lutas e as suas conquistas.
 
            Como somos advogados, ele e eu, termino esta fala com a oração de Santo Ivo, o Padroeiro dos Advogados:
 
            Deus e Senhor Nosso, fonte de toda luz e de todo bem, ei-nos prostrados diante do vosso Altar, nós pobres e miseráveis pecadores. Vítimas do erro ou da paixão, temos, com frequência, abandonado os vossos caminhos e infringido a vossa Santa Lei. Tende piedade de nós. Iluminai as nossas almas e fortalecei a nossa vontade, a fim de que, a exemplo do vosso servo Santo Ivo, andemos na estrada da retidão e da Justiça. Amém!
 
Beira do Iguaçu, 03 de Dezembro de 2.011
 
 
( * ) Advogado e Membro da Academia de Letras do Vale do Iguaçu

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