O “Casarão Domit” como espaço para aulas práticas de História

                              O “Casarão Domit” como espaço para aulas práticas de História
 
                                                                                           Zuleide Maria Matulle

           No “Programa de Pós-Graduação latu sensu do Curso de História da Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de União da Vitória”, campus da UNESPAR, área de concentração Cultura, Memória e Patrimônio, iniciado em 2011, no módulo de “Patrimônio Cultural e Educação Patrimonial” ministrada pela Prof. Ms. Leni Trentim Gaspari, no qual faço parte como pós-graduanda, as discussões realizadas tiveram como foco a valorização e preservação dos bens culturais. Numa semana intensiva de estudos, realizamos reflexões acerca da construção dos conceitos de patrimônio cultural e suas imbricações nos estudos de história local, memória e ensino de História pelo viés da Educação Patrimonial.

          Esse estudo foi complementado com uma saída a campo, isto é, uma visita ao “Casarão Domit” localizado em Irineópolis. Nesse importante espaço de memória foi possível visualizar e estabelecer parâmetros para compreender as práticas de uma determinada época.  Ao caminhar pelos cômodos do casarão a sensação que tive foi de estar vivendo nas primeiras décadas do século XX, como se aquele espaço tivesse vida. O escritório, primeiro cômodo do casarão, revela-se a nós como um espaço público, no qual é possível observar as relações sociais que permearam vida de seus habitantes, principalmente a vida do Coronel Domit, que desse espaço tomava importantes decisões econômicas e políticas. Outro exemplo de espaço público e a sala de jogos, na qual constata-se o modo como as pessoas se divertiam em uma moradia de requinte da época. É possível até arriscar alguns pontos na mesa de bilhar que lá se encontra.  
            A um passo do público está o privado, o quarto do casal Domit, que revela as relações de gênero nas primeiras décadas do início do século XX, pois quem visita esse espaço poderá ver o biombo, um móvel que serve para dividir um espaço, o qual era utilizado pela mulher para trocar sua roupa antes de se deitar para dormir. Percebe-se, através desse móvel, que a mulher deveria ter diante do esposo um comportamento de decoro. Naquela época trocar de roupa na frente do marido era um desrespeito não tolerado.

            Na sala de jantar do casarão é possível observar as porcelanas, as cristaleiras de madeira, os cristais utilizados em grandes jantares, a organização da mesa em dia de festa e como as pessoas deveriam se comportar. O “Casarão Domit” recebeu hóspedes ilustres como os governadores Hercílio Luz e Adolfo Konder e também Nereu Ramos e é inevitável imaginar os jantares que aconteceram naquele espaço, ao som da vitrola que até hoje funciona e é muito bem conservado pelas mãos do senhor Roberto Domit de Oliveira.    

            Outro espaço da casa que chama atenção é a cozinha, talvez o espaço que revela com mais intensidade o dia-a-dia de seus habitantes. Lá são observados diversos instrumentos como o descascador de frutas, utilizado para que as mãos não ficassem com o cheiro da fruta, moedor de grãos de café, enfim, os utensílios mais utilizados no dia-a-dia do casarão. Destaca-se também, através da fala do senhor Roberto Domit de Oliveria, a existência de uma serpentina que servia para aquecer a água através do fogão a lenha. Todo o dia, quando a família Domit levantava, havia água quente nos quartos do casarão para a limpeza matinal do corpo. Isso para a época era comodidade para poucos.       
           No último espaço a ser visitado encontra-se a namoradeira, outro elemento que revela o comportamento das pessoas na época, pois nesse móvel sentava-se o casal de namorados, mas separados pela sogra. O senhor Roberto Domit de Oliveria, que acompanhou a visita e forneceu as informações sobre todos os objetos do casarão, contou que em determinado momento a sogra se levanta para fazer um cafezinho e esse é o momento em que o casal poderia ficar mais a vontade.

           Sem dúvida, o cotidiano guarda ricas informações sobre o passado do homem. É só saber observá-lo e o Casarão Domit que engloba o público e o privado, com seus objetos revela o cotidiano, as práticas, os hábitos e rituais que caracterizam o dia-a-dia das pessoas que há habitaram. Mostra-nos a riqueza que esta próxima de todos. Visitar o “Casarão Domit” e investigar como as pessoas viviam, namoravam, se divertiam, como eram educadas e como aconteciam os relacionamentos sociais, de trabalho e de gênero foi a concretização dos conhecimentos obtidos em sala de aula.  O “Casarão Domit” é um importante espaço de memória, um espaço para aulas práticas de História, um espaço que todos deveriam visitar e que merece ser preservado por seu significado na trajetória de vida de uma sociedade e por características peculiares de forma, estilo e função.

Assessoria de Comunicação
Coordenadora: Ana Paula Such
Acadêmica: Wannessa Stenzel

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